Inexiste ser humano que, vaidosamente ou não, deixe de aspirar ser aplaudido de alguma forma ou em qualquer lugar. Entre eles há até os que se consideram carecedores absolutos de muitos aplausos permanentes, porque precisam deles para alimentar a própria vida, como acontece, por exemplo, com os artistas de palco e cinema, os cantores de rádio e televisão e tantos outros, que atêm na sua arte seu canal de rendimentos emocionais e financeiros. Sem os aplausos do público em geral não teriam condições de viver e, por isso, desenvolvem esforço total para ser vistos e ouvidos por conglomerados quanto maiores melhor. Tal acontece também com os políticos em geral, que buscam as ovações da coletividade para se manterem sempre em evidência e sonharem com reeleições. Identicamente, escritores, poetas, empresários etc... Mas, há os que, embora torcendo pelas aclamações populares, jamais as tiveram como desejado nem mesmo procedentes de patrões, chefes de serviços, companheiros de repartições e familiares. E muitos outros não dependem de ovações ou elogios por já possuírem normalmente meios efetivos de subsistência. Há, então, uma variedade e uma quantidade enorme de perspectivas para que o aplauso nunca deixe de existir, ainda quando totalmente imerecidos, conforme as circunstâncias, pelo fato de que os louvores pessoais e emocionais nem sempre são indiscutivelmente corretos e sim absolutamente incorretos, haja vista que não pouca gente costuma ganhar fotos e manchetes em jornais e revistas sem o devido mérito, porquanto se há os que não fazem jus a aclamações das massas ou de seu próximo, há, igualmente, os que não têm razões indiscutíveis para andar por aí distribuindo mecanicamente os ruídos de suas palmas ou de suas aclamações nos auditórios e praças públicas, onde quer que venham a acontecer, face à verdade de que os destaques envaidecedores das pessoas só são plenamente válidos e justos quando devidamente cobertos pelo manto diáfano dos inequívocos talentos. Elogiável seria a humanidade aprender a equacionar corretamente a importância dos aplausos, de sorte a fugir tanto quanto possível à injustiça de seus ímpetos. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.