A leishmaniose visceral, doença transmitida pelo mosquito palha e que acomete cães e humanos, podendo levá-los à morte, foi diagnosticada pela primeira vez em Bauru. Três pessoas adquiriram a doença - duas delas são crianças e estão internadas para tratamento, informou ontem a Secretaria Municipal de Saúde.
A doença também foi confirmada em quatro animais, dos quais três já foram eutanasiados (sacrificados). “Esta é a primeira vez que registramos leishmaniose em humanos em Bauru. No Estado de São Paulo, a doença em humanos surgiu há pouco tempo, na região de Araçatuba”, explica Maria Helena Abreu, diretora do Departamento de Saúde Coletiva, órgão da Secretaria Municipal de Saúde.
Neste ano, contabilizando os três casos de Bauru, 101 pessoas já contraíram a doença no Estado de São Paulo e 17 delas morreram, de acordo com estatística do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria do Estado da Saúde. No ano passado, dos 114 doentes, 13 morreram. “A letalidade é de cerca de 20%”, frisa o clínico José Fernando Casquel Monti, que está cuidando de uma das crianças com a doença, internada em Bauru.
Ele explica que a doença pode levar à morte porque debilita o sistema imunológico. “A pessoa tem febre alta, emagrece e pode adquirir anemia. Além disso, fica com o sistema imunológico debilitado. Com isso, a pessoa fica suscetível a adquirir outras doenças”, frisa.
Por isso, explica, boa parte dos pacientes precisa ser internada. Porém, Monti ressalta que os médicos ainda têm pouca experiência com a leishmaniose visceral em humanos. “É uma doença que pode ser considerada emergente, que não existia e passou a existir”, afirma.
O médico conta que ainda não há consenso sobre a origem da doença em humanos na região de Bauru. “Tenho a impressão que o mosquito já existia. Cães e humanos também. O que falta é recuperar o elo perdido de como a Leishmania, que é o agente infeccioso que causa a doença, foi introduzida. Talvez uma pessoa doente ou cão doente de outra região tenha vindo para Araçatuba, primeira região do Estado onde houve registro da doença. Agora, parece que a doença está avançando no sentido leste”, analisa.
O tratamento da doença, de acordo com Monti, varia de 20 a 30 dias. “O limite de cura é bastante satisfatório, mas depende da região. Há regiões que o índice de cura com a droga que estamos usando em Bauru é acima de 80%. Em outras, as drogas não funcionam tão bem”, conta.
Dos três casos notificados em Bauru, um foi em um adulto que mora na Bela Vista e trabalha no município de Pederneiras (às margens da represa). A Secretaria de Saúde trabalha com a hipótese da doença ter sido adquirida em Bauru ou Pederneiras.
O segundo caso é de uma criança de 5 meses, residente no Jardim Andorfato, e que está internada para tratamento. O terceiro é de uma criança, de 3 anos, que residia, até seis meses atrás, também no Jardim Andorfato - a família mudou-se para o Parque Primavera. A criança está internada para tratamento.
Animais
O veterinário Ricardo Massaru Tomaoka orienta quem tem cachorro ficar atento ao comportamento do animal. Se apresentar algum dos sintomas da leishmaniose, o cão deve ser levado ao veterinário para realização de exames. Se a doença for confirmada, a orientação é submeter o animal à eutanásia (interrupção da vida).
Ele ressalta que a medida é adotada para não correr o risco da proliferação da doença. “Se houver mosquito e um animal doente, a leishmaniose pode ser transmitida a outros animais e humanos”, explica.
O veterinário Paulo José Baccan Maximino, que atendeu dois animais com a suspeita da doença nos últimos meses, conta que qualquer um dos sintomas já exigem exames. “Se você recebe um animal com problema de pele, por exemplo, e apesar do tratamento não obtém resultado, é preciso fazer o exame sorológico para a leishmaniose”, afirma.
Ele conta que algumas pessoas relutam em realizar o exame sorológico porque temem perder o animal de estimação. “Se o exame der positivo, o veterinário é obrigado a relatar o caso ao Centro de Controle de Zoonoses. Provavelmente, esse animal terá que ser eutanasiado”, diz.
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