Um programa promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) pretende diminuir em até 30% as contas de energia elétrica de pequenas indústrias e comércios. O Programa Sebrae de Eficiência Energética (PSEE), desenvolvido em parceria com o Instituto para a Conservação de Energia (Ícone) e com a agência de desenvolvimento regional Cooperhidro, teve início em Bauru nesta semana.
“O objetivo é visitar as empresas e avaliar como elas estão trabalhando a eficiência energética”, afirma o coordenador de tecnologia do Sebrae-Bauru, Clemilton Baceto. Segundo ele, o trabalho está sendo realizado por técnicos capacitados, que pretendem visitar entre 2 mil e 2,5 mil empresas em Bauru.
De acordo com Baceto, a reeducação dos consumidores na época da ameaça de apagão, em 2000, ainda não foi suficiente para uso eficiente de energia. “Mesmo com a redução mais drástica (na época do racionamento), ainda é possível fazer a troca de equipamentos para trazer mais benefícios”, diz.
Para o presidente da Cooperhidro, Carlos Farias, as orientações dos agentes são “básicas, porém, técnicas”, e vão desde a readequação do uso do maquinário em horários de pico a uma geladeira com a vedação gasta. “O Sebrae tem foco nos micro e pequenos empresários, que já trabalham com o orçamento muito amarrado. Com essa economia (de energia), a empresa poderá investir em outras coisas”, afirma.
De acordo com Farias, o PSEE se dá em três etapas. A primeira é a visita de orientação, com informações básicas. Em seguida é feito um diagnóstico na empresa, acusando possíveis pontos de fuga de energia, por exemplo. A terceira etapa consiste em um treinamento para capacitar micro e pequenos empresários e seus funcionários para o gerenciamento racional do consumo de energia.
Na opinião de Farias, a economia possível de até 30% de energia pode ser atingida após as etapas do programa. “Isso não é difícil. Várias empresas que não vinham observando as orientações básicas, a partir do momento que recebem o diagnóstico, o treinamento, já começam a sentir a diferença na conta de energia”, afirma.
O PSEE é totalmente gratuito e conta com o envolvimento de associações comerciais, Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), sindicatos, universidades e outras entidades para divulgar e aplicar o programa.
Atrasado
Na manhã de ontem, agentes do programa já visitavam empresas localizadas no Centro da cidade. A comerciante Giselda Teixeira, proprietária de uma loja de lingeries, considera o programa “importante”, principalmente porque acredita que seu consumo de energia elétrica poderia ser menor. “Como as lâmpadas da loja são fluorescentes, eu acho que deveria gastar até menos”, afirma.
Na opinião do comerciante Luiz Otávio de Moura da Costa, dono de uma loja de móveis, o programa vem fora de hora. “Eu acho que esse programa vem atrasado. Ele deveria ter sido feito quando nós estávamos na iminência do apagão”, declara. Para ele, após o racionamento de energia já houve uma “readaptação cultural” do consumo.
Segundo Costa, como o movimento no comércio está “parado”, a redução na conta de luz já havia sido providenciada como medida de contenção de despesas. Na opinião do comerciante, o Sebrae, o governo federal e os órgãos reguladores deveriam prestar atenção na conta telefônica, em especial no que se refere à não-discriminação dos pulsos na conta.
• Serviço
Outras informações sobre o PSEE podem ser obtidas no site do Sebrae (www.sebrae.com.br) ou, em Bauru, pelo telefone (14) 3234-1499.