O nível de emprego industrial em Bauru caiu 3,13% no ano, segundo levantamento do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) realizado em suas 32 regionais até o mês de agosto. Entre as diretorias, a cidade apresenta o segundo pior resultado. São José do Rio Preto lidera o ranking de postos de trabalho fechados no ano, com menos 3,41%.
Levando em conta os últimos 12 meses (desde agosto de 2002), Bauru registrou o quarto pior resultado entre as regionais do Ciesp, com redução de 3,11%. No mesmo período, o nível de emprego na indústria subiu 1,86% em Jaú, 3,78% em Botucatu e 4,02% em Marília. Para o empresário Claudemir Misquiati, membro da diretoria regional do Ciesp, além de fatores econômicos externos, a indústria de Bauru sofre com a instabilidade política. “O que acontece na política reflete na economia”, diz.
Em agosto, a oferta de mão-de-obra nas indústrias da cidade registrou diminuição de 0,11% em relação ao mês anterior, índice relativamente baixo, mas que consolida a curva descendente do emprego industrial em Bauru. No mês, regionais de cidades próximas, como Jaú e Marília, apresentaram resultados positivos. Na primeira, cuja base industrial é o setor calçadista, o nível de emprego em agosto aumentou quase 1%.
De acordo com Misquiati, a indústria em Bauru tem a característica de ser muito diversificada - o que traz, ao mesmo tempo, vantagem e desvantagem. “Em Bauru, (o nível de emprego) demora mais para cair, mas demora mais para melhorar”, aponta. Além disso, os dois principais setores industriais da cidade - a produção de baterias automotivas e o setor gráfico - têm comportamento sazonal.
Nesse sentido, avalia Misquiati, a produção industrial de Jaú, cidade conhecida como capital do calçado feminino, leva vantagem atualmente. “O setor calçadista funciona o ano inteiro: primavera, verão, outono, inverno. A cada estação é uma linha nova”, diz. Por outro lado, se o setor entra em crise, o desemprego aumenta rapidamente.
Segundo Misquiati, a boa notícia em Bauru vem dos setores de metalurgia e de matérias plásticas, que apresentaram boa reação. De acordo com a pesquisa do Ciesp, o nível de emprego nos dois setores da cidade registrou, em agosto, aumentou de 1,85% e 1,90%, respectivamente.
Política
Para o diretor do Ciesp, a indústria do município reage dentro de 60 a 90 dias após um aumento do consumo. Segundo ele, a classe industrial espera medidas econômicas do governo federal para elevar o consumo e, por conseqüência, retomar a produção. “Isso se o governo continuar com essa política de baixar juros, reduzir o depósito compulsório e injetar dinheiro no mercado”, diz.
De acordo com Misquiati, as indústrias locais acabam amargando prejuízo e fechando postos de trabalho não só por problemas do município, mas da “conjuntura econômica” do País. “Se Bauru parar de comprar, a indústria vai perder 10%, 20% das vendas, mas a grande fatia da produção vai para fora do município”, explica.
Na opinião de Misquiati, porém, faltam atitudes políticas mais agressivas para atrair empresas e investidores à cidade. “Nós estamos há quanto tempo sem conseguir uma grande empresa para Bauru?”, indaga. Segundo ele, a regional do Ciesp não tem posição política, quer apenas “governabilidade”. “Quando a gente se manifesta pela governabilidade de Bauru, é independente de quem está no poder”, reitera.