Tribuna do Leitor

A "herança maldita"


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A “herança maldita” recebida do governo FHC levou o País a níveis sem precedentes de instabilidade e dependência externa. Na última década, pioraram as condições de vida do povo com as privatizações, desmanche dos serviços públicos, desemprego nas alturas, desmantelamento da saúde e da educação. Resultado direto de um modelo econômico concentrador de renda, que colocou à margem milhões de brasileiros.

No entanto, as primeiras medidas do governo Lula indicaram um caminho continuísta desse modelo. O primeiro semestre foi marcado pelo desemprego e crescimento zero, conseqüência de uma política de juros altos que privilegiou os interesses do capital financeiro.

Diversos setores da sociedade reivindicaram mudanças e vieram a público: dos intelectuais, de 30 deputados petistas, e dos economistas. Afirmavam: “É impossível combinar política econômica conservadora com política social progressista.”

Os economistas apontaram rumos alternativos: “Há alternativa. Ela não passa por mudanças em um ou alguns dos aspectos da “coerente” política ortodoxa em curso, mas pela inversão de toda matriz da política econômica.”

O Brasil não pode ficar fora do debate sobre seu futuro. Os custos políticos da mudança de rumos na economia não são menores do que a manutenção de uma transição que aprofunda ainda mais o modelo econômico neoliberal.

Retomar o crescimento, deixando de lado o medo, recolocar o País no trilho do desenvolvimento, da distribuição de renda, da reforma agrária e da inclusão de milhões de brasileiros nos direitos da cidadania é incompatível com a atual política econômica adotada.

Prof. Leonam Loureiro da Silva - membro do Coletivo Florestan Fernandes e do PT de Bauru

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