A distribuição de renda em Bauru piorou na última década, assim como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) cresceu em menor proporção em relação aos municípios paulistas. Essas são algumas das constatações do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, que analisou a evolução de variáveis demográficas, econômicas e sociais de 1991 a 2000 em 5.507 cidades brasileiras.
A pesquisa foi divulgada ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação João Pinheiro.
A desigualdade de renda, medida pelo Índice de Gini, foi de 0,59 em Bauru no ano 2000. A escala vai de 0 a 1 - quanto mais próximo de 1, mais desigual é o cenário. Em 1991, este índice era de 0,52. Em relação ao ranking de distribuição de renda dos 645 municípios do Estado, Bauru caiu da 380.ª para a 579.ª posição.
O munícipio que melhor distribui renda em São Paulo é Ariranha (0,42 na escala). O pior é Santana de Parnaíba (0,73). Entre as 5.507 cidades brasileiras avaliadas, Bauru ocupa a posição de número 3.950 nesse quesito. As melhores do País são Santa Maria do Herval (RS) e Barra do Choça (BA), com índice de 0,36.
A evolução da concentração de renda em Bauru na última década é semelhante à média do Brasil, de acordo com a escala de Gini. Para o economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP), apenas acompanhar a média brasileira é preocupante. “Nós tínhamos de ter uma melhoria de alocação da riqueza. Nós estamos com o mesmo comportamento de Estados que têm dificuldade de ter políticas públicas adequadas”, afirma.
Outro item que demonstra a piora do abismo social em Bauru é a porcentagem de pessoas com renda per capita inferior a R$ 37,75 mensais (abaixo da linha de pobreza). Em 1991, essa fatia representava 2,15% da população. Em 2000, o número pulou para 4,18%.
Curiosamente, a renda média do bauruense é a 16ª melhor do Estado: R$ 500,27 ao mês. Em 1991, a renda média era de R$ 376,45. Em números de 2000, a renda per capita de Bauru é superior a média paulista, que é de R$ 442,67. As distorções na distribuição de renda, porém, apagam um possível indício positivo decorrente da análise unicamente da renda média.
De acordo com o economista Cafeo, a renda mensal de um chefe de família na Zona Sul da cidade é de R$ 4.800,00, ao passo que a renda de um chefe morador de alguns bairros da periferia não ultrapassa os R$ 290,00 mensais. “O retrato é o seguinte: em média nós estamos bem, mas a diferença entre o menor e o maior é muito acentuada”, diz. E completa: “Isso é um sintoma de que estamos criando bolsões de pobreza dentro da cidade.”
Para Cafeo, como a cidade continuou crescendo na última década, ainda que num ritmo menor, as riquezas acabaram se concentrando ainda mais nas mãos de pocuos. “Aqui há uma elite bastante forte, notadamente dos profissionais liberais, e nos últimos anos Bauru perdeu a condição de ser um pólo centralizador do setor público. Isso fez com que muita gente perdesse renda, e é natural que, como a cidade continuou crescendo, essa renda fosse destinada à elite”, diz.
IDH sobe
O Atlas também mostra que o IDH de Bauru aumentou desde 1991, assim como a média brasileira. Numa escala que varia de 0 (menos desenvolvido) a 1 (mais desenvolvido), o Brasil subiu de 0,696 para 0,766, o que demonstra melhora nos indicadores sociais. O IDH de Bauru passou de 0,791 para 0,825.
No entanto, a posição da cidade em relação ao total dos municípios paulistas caiu. Enquanto que, em 1991, Bauru ocupava o 19º lugar, em 2000 a cidade desceu para a 50ª posição entre os 645 municípios de São Paulo. Entre as mais de 5 mil cidades brasileiras pesquisadas, Bauru ocupa o 187º lugar.
A campeã de desenvolvimento humano no Estado é São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, com índice de 0,919. A média estadual é de 0,820 - 3ª posição entre as unidades da Federação, liderada pelo Distrito Federal (0,844).
O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil está disponível para download gratuito no site www.fjp.gov.br/arquivos/ide.html.