Regional

Homem é acusado de matar irmão

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Piratininga – Um crime chocou ontem os moradores da pequena Piratininga (13 quilômetros a Sudoeste de Bauru). O trabalhador rural José Genivaldo Ferreira da Silva, 35 anos, é acusado de ter matado seu irmão, José Givaldo Ferreira da Silva, 32 anos, com golpes de barra de ferro. Segundo a Polícia Civil, Genivaldo teria afirmado que já esteve internado, por duas vezes, em um manicômio.

O crime ocorreu durante a madrugada, na fazenda Bandeirantes, localizada na zona rural do município. Segundo a polícia, no local, os irmãos moravam sozinhos em uma pequena casa, cedida pelo proprietário das terras. Ambos são naturais de Monte Alegre (Sergipe) e teriam vindo para São Paulo à procura de trabalho. Nos últimos tempos, o acusado prestava serviços em uma fazenda vizinha, chamada Shangrilá.

Na manhã de ontem, um casal de funcionários da fazenda Bandeirantes teria chegado ao local e estranhado o fato dos irmãos ainda não terem saído de casa. Foi quando Genivaldo abriu a porta e relatou o que havia ocorrido. “Ele disse que tinha feito uma loucura e matado o irmão”, conta o escrivão da delegacia de Piratininga, Luis Flávio Ballalai Poli, que atendeu a ocorrência.

Ao avistar a cena do crime, os funcionários entraram em contato com o filho do proprietário da fazenda, que acionou a Polícia Militar. A vítima foi encontrada morta na cama com vários ferimentos na cabeça. Pela casa, as marcas de violência estavam por toda a parte. “Três cômodos estavam todo ensangüentados”, conta Poli. No local foi encontrada uma barra de ferro de cerca de um metro e uma faca.

Quando a polícia chegou à residência, Genivaldo estava deitado em sua cama, com um pequeno ferimento no pé, e não teria reagido à prisão em flagrante. O acusado foi encaminhado para a delegacia, mas não teria informado o motivo do crime, apoiando-se no direito de falar somente em juízo. “Ele estava em estado de choque”, descreve o sargento Silvio Urel, que esteve no local.

Entretanto, segundo a polícia, durante a coleta de dados na delegacia o acusado teria informado que já esteve internado por duas ocasiões em um manicômio de Aracaju (SE). No local do crime foram encontrados vários medicamentos de tarja preta que, de acordo com a polícia, supostamente seriam utilizado por ambos os irmãos para tratamento psiquiátrico.

“Uma pessoa em sã consciência seria incapaz de fazer isso. Eu já vi bastante crime bárbaro, mas não dessa forma”, afirma o sargento.

Genivaldo foi encaminhado ontem para a cadeia de Avaí. Ele deve responder por homicídio duplamente qualificado, cometido por motivo fútil e de forma violenta. A pena prevista é de 12 a 30 anos de detenção.

Segundo a polícia, em São Paulo o acusado não tinha antecedentes criminais. “Mas como o RG dele é de Sergipe, a gente não conseguiu pesquisar em outros Estados”, afirma Poli. Um inquérito foi instaurado e as investigações sobre o caso serão encaminhadas pela delegacia da cidade. A polícia acredita que os irmãos teriam se desentendido antes do crime.

O corpo da vítima foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru e submetido à necropsia. Além do irmão, em Piratininga, Givaldo possuía apenas uma prima. A família foi comunicada sobre o fato ontem, em Sergipe.

Surpresa

Segundo depoimento de testemunhas, o crime foi motivo de surpresa e comoção, já que os irmãos nunca teriam tido, aparentemente, problemas ou desentendimentos na fazenda. Eles foram descritos como homens de personalidade resguardada e bons trabalhadores. “Nós achávamos eles até calmos demais. Nós sabíamos apenas que o que morreu tomava remédios para cabeça”, afirma Cleusa Pereira Golveia, 36 anos, que presta serviços na fazenda Bandeirantes.

Ela e o marido, Rubens Aparecido Golveia, 40 anos, foram os primeiros a tomar conhecimento do crime, quando chegaram ao local. “Nós estranhamos porque estava tudo quieto e eles sempre levantavam bem cedo. O meu marido resolveu chamar os irmãos. Na hora que o Genivaldo abriu a porta, meu marido viu a cena”, descreve.

Rubens afirma que recebeu a notícia com espanto e nunca havia desconfiado da conduta do acusado. “Eu nunca imaginei uma coisa dessas. Nós, até então, não tínhamos queixa sobre eles”, afirma.

Segundo as testemunhas, a vítima morava há cerca de dois anos em Piratininga e trabalhou na fazenda Shangrilá junto com o irmão, até se afastar recentemente por problemas de saúde. O acusado teria chegado ao local há alguns meses.

A prima dos envolvidos, Maria Aparecida Silva, 38 anos, afirma que mantinha pouco contato com os parentes, mas conhecia seus supostos problemas psiquiátricos. “Mesmo assim eu não esperava, eu lamento pelos dois”, afirma.

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Atípico

Esse é o segundo homicídio registrado neste ano na cidade de Piratininga, de cerca de 10 mil habitantes. O primeiro ocorreu em maio durante uma briga generalizada em uma festa de peão de boiadeiro promovida na cidade.

O crime é considerado atípico pela polícia local, já que as ocorrências mais comuns no município seriam pequenos furtos, lesão corporal e desentendimentos. No ano passado, por exemplo, Piratininga não teve casos de homicídio.

O delegado titular Francisco Bromati não foi encontrado ontem pela reportagem para comentar o assunto.

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