Prazo fictício
Terminou sexta-feira, em tese, o prazo de filiação partidária para aqueles que planejam ser candidatos na eleição de 3 de outubro de 2004. Ocorre que os partidos têm mais alguns dias para entregar a listagem de filiações no cartório eleitoral. Assim, como sempre ocorre, vários partidos ainda vão fazer filiações com data retroativa.
“Rei da trocaâ€
Não é de se duvidar que algum cidadão ainda possa trocar de partido, mesmo que sua ficha partidária seja recente. O “rei†da troca partidária da política local é o vereador Leandro dos Santos Martins, atualmente no PP, mas que já esteve em outras siglas neste ano. Ou é muito indeciso sobre qual é a melhor sigla ideologicamente falando ou é muito volúvel.
Só “veículosâ€
Mas ele não é o único a ver partido político somente como um abrigo eleitoral. Na atual legislatura, simplesmente metade da Câmara Municipal trocou de partido. O País evoluiu em muitos aspectos, mas ainda está distante o dia em que a democracia contará com partidos fortes e ativos. Atualmente, não passam de veículos eleitorais.
Desfigurados
Não que os políticos ou cidadãos comuns devam ser proibidos de trocar de partido. O problema é que as trocas, hoje em dia, são apenas baseadas em contas sobre o quociente eleitoral. Trocando em miúdos, com a seguinte indagação: “Onde fica mais fácil para eu eleger-me?†Com isso, a maioria dos partidos não representa mais correntes de pensamento ou ideários.
Isabel no PC
Por falar nisso, a ex-secretária de Educação de Bauru, Isabel Algodoal, se filiou ao PC do B, liderado pela vereadora Majô Jandreice. Certamente vai tentar uma cadeira na Câmara. Lembre-se que o quociente eleitoral para o ano que vem em Bauru deverá girar em torno de 8 mil votos, isto é, o partido precisará atingir ao menos esta soma para assegurar uma vaga ao candidato mais votado da legenda, e assim por diante.
Fim dos Estados
Bauru recebeu ontem a visita do vereador Antonio Carlos Fenólio (PSDB), de Taboão da Serra, cidade de 200 mil habitantes situada na Grande São Paulo. Fenólio é autor de uma proposta de mudança constitucional polêmica, mas que merece reflexão para uma virtual aplicação a médio e longo prazo: acabar com os Estados no Brasil na forma como eles são definidos hoje.
Justificativa
Seu projeto já está em Brasília, mas ainda não foi apresentado na Câmara Federal. Fenólio argumenta que a economia de recursos seria formidável e que os municípios poderiam assumir com grau de eficiência ainda maior as atribuições que são do Estados, máquinas pesadas, caras e burocráticas. As áreas de educação e a saúde são duas realidades onde isso já ocorre, na prática.
Em trinta anos
Para o vereador de Taboão, a proposta teria um prazo bem dilatado para ser aplicada, pelo menos 30 anos, uma vez que estaria se alterando boa parte do princípio federativo, além de estar extinguindo milhões de empregos. Para Fenólio, os Estados poderiam continuar existindo na forma figurativa, para efeito de representação política e outras referências, mas não na função administrativa.