Há algum tempo o JC publicou interessante reportagem com o título “Escola rural é atração em Barra Bonitaâ€, enfocando as atividades desenvolvidas por 32 jovens e adolescentes da Legião Mirim no sítio-escola localizado no Bairro do Entulho. Informou sobre o destaque dado à hidroponia no cultivo, da qualidade da terra e dos canteiros com legumes, verduras, plantas protetoras e medicinais. Sobre a existência de animais tratados pelos alunos sob a orientação de supervisores. Este sítio-escola tem sido motivo de visitações, sendo fator de orgulho para o município, que arca com as despesas pagando salário mínimo aos alunos. Realmente esta modelar instituição deve servir de parâmetro aos demais municípios. Porém, com o intuito de informar, esclareço que já tivemos aqui em nosso Estado uma rede de escolas e grupos típicos rurais, com professores formados pela Escola Normal Rural de Piracicaba, única no país e que ingressavam por concurso de provas e títulos. Tive a grata experiência de ser diretor de um desses grupos típicos rurais, onde os alunos até o quarto ano recebiam ensinamentos para cultivo de hortas, formação de pomares, jardins, criação de abelhas, peixes, aves e porcos. Estas escolas e grupos funcionavam em tempo integral e as atividades práticas eram desenvolvidas em outro período, sob orientação dos professores. Aqui em nossa região tivemos um dos mais sofisticados grupos da rede, o de Arealva, dirigido muito tempo pelo inesquecível colega Nelson Teixeira Mendes que chegou a presentear com vinho produzido pelos alunos o então governador Jânio Quadros, quando em visita àquele estabelecimento deixando lavrado um termo de visita histórico. Infelizmente essa modalidade de ensino desapareceu, como desapareceram os eficientíssimos ginásios e colégios industriais que formaram excelentes técnicos absorvidos pelo mercado de trabalho. Suas oficinas super aparelhadas viraram sucatas. Houve também a descaracterização de nossas escolas agrícolas e institutos musicais. Desfilaram pela educação de nosso país os CIEPs, CIACs, GEGs, Circuito Gestão e temos atualmente a superescola da capital, o CEU, Centro de Educação Unificada. Cada governo quis e quer deixar sua marca na educação que, geralmente, é desfeita ou não recebe a devida cobertura pelo sucessor. Todas as realizações têm tido vida curta como se a educação se realize em períodos estanques de quatro ou cinco anos, quando em verdade é um processo a ser desenvolvido a longo prazo, 30, 40, 50 anos seguindo um plano de educação que deveria ser observado pelos governantes. Cada governo deveria cumprir a sua parte do Plano Educacional, fato que na realidade não acontece, pois cada governo quer ter o seu plano, deixar a sua marca. Em nossa educação prevalecem o empirismo, imediatismo, a descontinuidade altamente prejudiciais. Agora chegou a vez de se “repensar†o ENEM e o Provão, os quais já se acham consolidados e aceitos pela sociedade. Este repensar deveria ser o seu aperfeiçoamento e não sua extinção e substituição por outros critérios. Comenta-se na instituição de um SUS na educação. Realmente não se faz educação sem dinheiro, mas o cumprimento de metas dentro de um Plano de Educação para ser desenvolvido a longo prazo é fundamental. Enquanto que a descontinuidade é altamente prejudicial. (Professor Joaquim Eliseo Mendes)
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade