O economista, professor e vice-presidente da Ordem dos Economistas de São Paulo, Claudemir Galvani, traça um cenário econômico positivo para o País no próximo ano e afirma que, em 2005, serão colhidos os frutos dos investimentos atuais.
“O ano de 2004 será muito melhor que este. Em 2003 tivemos uma situação de insolvência muito grave. É possível afirmar que haverá crescimento no ano que vem porque as taxas de juros internacionais caíram e, agora, as taxas nacionais também estão caindo. Além disso, a inflação está estabilizada. O desafio para 2004 será manter tudo isso sem prejudicar o crescimento”, avalia.
Mas mesmo com a previsão de melhora para o próximo ano, Galvani sinaliza que a verdadeira recuperação ocorrerá em 2005. “Em 2004 a taxa de crescimento deverá ficar em torno de 2,5%. Mas é em 2005 que poderemos voar mais alto.”
A previsão do Banco Central (BC) é de que o Produto Interno Bruto (PIB) - soma das riquezas produzidas por um país - do Brasil termine 2003 com crescimento de apenas 0,6%. Na última sexta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou estimativa de que este índice fique em 0,5%. De acordo com Galvani, na prática isso não significa nada em termos de crescimento da economia.
Uma situação como essa tem diversos desdobramentos para um país e sua população. O primeiro reflexo negativo é o desemprego.
“Além disso, existe a queda da renda da população, não só para quem está desempregado, já que quem trabalha é pressionado pelos demais. Isso é terrível, porque resulta na queda das vendas no comércio, que por sua vez, compra menos da indústria. Este círculo leva à recessão. Tecnicamente o Brasil está em recessão, porque nos dois últimos trimestres do ano houve queda do PIB”, diz Galvani.
De acordo com ele, no acumulado dos primeiros três meses de 2003 essa queda foi de 0,6%, e no segundo trimestre, de 1,6% (comparando um período com o outro). A avaliação da CNI é de que o resultado final da atividade econômica neste ano só não será pior em razão do desempenho das exportações e do setor agropecuário.
Apesar das previsões pessimistas, das quais o economista compartilha, a CNI avalia que o terceiro trimestre “sedimentou a superação dos problemas desencadeados com a crise de confiança e a alta inflação que se abateram sobre a economia brasileira no segundo semestre de 2002”.
Ironicamente, a queda da renda interna acaba gerando excedentes para serem exportados pelo País. É o caso da soja, por exemplo. Para alguns economistas, a “saída” para o Brasil está no comércio externo. Galvani diz que concorda, com ressalvas.
“Eu acho que não há dicotomia entre os comércios nacional e internacional. Ou seja, transformar o País num grande exportador é resolver somente uma parte do problema de um setor da economia. O comércio internacional é fundamental para o País se estabilizar, mas o mercado interno também precisa estar forte. Isso é, inclusive, requisito para que o País atraia investimentos externos”, assinala Galvani.
Para o mercado interno se desenvolver e, conseqüentemente, ampliar as possibilidades para indústria e comércio, a redução da taxa de juros é fundamental. No momento, a Selic (taxa básica da economia brasileira) está em 20% ao ano, após duas quedas ocorridas num curto espaço de tempo no segundo semestre. A previsão é de que possa encerrar 2003 no patamar de 18% ao ano.