As origens da vacina se perdem no tempo, mas a descoberta de que vírus e bactérias enfraquecidos poderiam imunizar o ser humano contra várias doenças transformou a vacinação em uma das ações mais importantes para a saúde pública mundial. Tanto que o Ministério da Saúde brasileiro decidiu tornar sua aplicação obrigatória para toda a população do País: há 30 anos era criado o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
As ações de imunização no Brasil começaram há cerca de 100 anos, mas o programa tinha como principais objetivos estabelecer um calendário oficial de vacinação e facilitar o acesso da população às doses. Para isso, o governo determinou que a aplicação das vacinas consideradas essenciais deveria ser oferecida gratuitamente em todos os municípios do País.
De acordo com a Agência Saúde – assessoria de imprensa do ministério -, uma das primeiras vitórias do PNI no Brasil viria apenas dois anos depois de sua implantação. Em 1975, o País recebeu da Organização Mundial de Saúde (OMS) o certificado de erradicação da varíola - doença que representou uma verdadeira calamidade no passado.
Mas a maior visibilidade do programa só seria conquistada em 1980, quando foram lançadas as campanhas de vacinação contra a poliomielite. Conhecida como paralisia infantil, a doença atingia cerca de 3 mil brasileiros por ano naquela época. A estratégia deu certo: o último registro de pólio no Brasil ocorreu em 1989 e o certificado de erradicação foi concedido ao País em 1994.
As campanhas levaram o PNI à condição de um dos melhores programas de saúde pública do mundo, com uma cobertura superior a 90% da população, segundo o diretor da vigilância epidemiológica nacional, Expedito Luna.
E os números demonstram essa eficácia, conforme a Agência Saúde. A assessoria informa que o Brasil não apresenta casos de sarampo há três anos e reduziu consideravelmente as mortes por difteria (99%), coqueluche (97%), tétano acidental (83%) e tétano neonatal (94,3%).
Recentemente, o PNI também encabeçou uma campanha contra a rubéola para prevenir a síndrome da rubéola congênita. Em dois anos, foram imunizadas cerca de 29 mil mulheres, com redução dos casos em 80%, segundo o ministério.
Outra ação fundamental é a vacinação de idosos contra a gripe, realizada desde 1999. As campanhas já imunizaram contra a gripe (causada pelo agente Influenza) cerca de 51 milhões de pessoas. Luna salienta que a vacina contra a gripe diminui sensivelmente o número de mortes e internações de idosos. “A gripe em si não provoca mortes, mas debilita o idoso e o deixa mais vulnerável a outras doenças”, explica.
Cada campanha realizada no País envolve cerca de 400 mil pessoas, entre profissionais e voluntários. Isso sem contar a vacinação de rotina. Ao todo, o PNI disponibiliza 13 tipos de vacinas, aplicadas diariamente em aproximadamente 23 mil postos de saúde distribuídos pelos 5.560 municípios brasileiros.
Só neste ano, o governo federal está investindo R$ 470 milhões em aquisição de vacinas. As principais campanhas desenvolvidas atualmente são a da pólio, em duas etapas (junho e agosto) e a vacinação do idoso contra a gripe (abril).
Segundo a Agência Saúde, cerca de 17 milhões de crianças menores de 5 anos receberam a vacina contra a paralisia infantil na última etapa da campanha, realizada em agosto deste ano. “Há doenças que exigem ação de combate intensiva”, salienta a coordenadora geral do PNI, Maria de Lourdes Sousa Maia.
As três décadas de atividades do PNI serão relatadas em um livro, que deverá ser lançado durante Mostra Nacional de Experiências Bem Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), que será realizada de 18 a 21 de novembro em Salvador (BA).
____________________
Reconhecimento nacional
A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) classifica o Programa Nacional de Imunizações (PNI) como um dos melhores do mundo, segundo a Agência Saúde.
Esta posição deve-se a cinco fatores: gratuidade das vacinas, o número e a qualidade de imunobiológicos oferecidos à população, as altas coberturas vacinais alcançadas, a dimensão geográfica e demográfica do País e o impacto do programa sobre as doenças imunopreveníveis.
Segundo o Ministério da Saúde, a capacidade do programa nacional em implementar suas estratégias tornou-se referência internacional. Entre os países que adotam a iniciativa brasileira estão o Timor Leste, Suriname, Angola e Palestina (Cisjordânia e Faixa de Gaza).
A Agência Saúde salienta que a experiência já rendeu ao Brasil vários acordos internacionais de cooperação técnica - equipes brasileiras são levadas aos países para colaborar com campanhas locais. E atualmente, o País também apóia ações de vacinação em suas fronteiras com Paraguai, Bolívia e Argentina.
Ainda assim, o governo afirma que há muitas metas importantes a se alcançar, como evitar que doenças erradicadas voltem a se manifestar, consolidar a eliminação do sarampo, construir e recuperar locais para conservação e distribuição das vacinas, fortalecer laboratórios brasileiros que produzem as vacinas (e atendem 70% da demanda nacional) e investir em pesquisas para melhorar as ações do PNI.
“Os objetivos ainda incluem estimular a participação da sociedade no controle e no desenvolvimento do PNI e fortalecer o processo de educação e promoção da saúde”, conclui a Agência Saúde.
____________________
Leia mais sobre este assunto
• Tétano neonatal é nova prioridade