As veterinárias Thais Helena Desjardins Bergonso e Luciana Fernandes de Oliveira, da Terra Selvagem, medicina de animais selvagens, explicam que existem vários animais que podem ser excelentes mascotes, mas todos exigem cuidados e carinho. “A gente explica todos os cuidados necessários, mesmo assim muitos deixam o animal sofrer com alimentação inadequada”, comenta Thais.
Elas escolheram os animais selvagens para cuidar, o que aumenta o número de “clientes” diferentes. “Temos pássaros, quelôneos (jabotis, tartarugas e cágados), coelhos, iguanas... Até coruja já apareceu por aqui”, contam. Apesar de não ser permitida a posse de coruja por ser um animal silvestre, como veterinárias, elas não podem se negar a atender.
Quem são os "selvagens"?
Aqueles que não sofreram modificações genéticas para serem domesticados. Eles podem ser silvestres, que são da fauna nacional (do nosso País), e exóticos, vindos de outros países.
Por isso, antes de comprar é preciso pesquisar. “A pessoa vai comprar, acha bonitinho e não pensa que vai crescer, como a iguana e a cobra. Aí, não sabe o que fazer com aquele bicho enorme e solta na natureza”, explica Thais.
“Um dia, veio um rapaz aqui que encontrou uma iguana de três quilos solta, em Ourinhos. Ele pegou, trouxe o animal e queria ficar com ele. O animal estava doente, nós tratamos, mas o convencemos a doar para o Zôo, pois é grande, arranha, bate o rabo”, comentam.
“Você deve conversar com um veterinário para saber como o animal vai ficar quando crescer. É complicado você deixar um animal que vai ficar grande em um apartamento”, orienta Luciana.
Animais domésticos
Já os animais domesticados, como cachorro, gato, galinha, vaca, carneiro, porco, enfim, uma série de espécies, são aqueles que passaram por uma seleção genética. “O cachorro, por exemplo, demorou muito tempo para ser domesticado após cruzamentos com lobos, cachorros do mato... Com o tempo, a espécie foi domesticada”, explica Thais.
Os irmãos Ana Carolina Alves de Carvalho, 10 anos, e Thiago, 12 anos, se divertem com o ferret que possuem. A espécie, natural dos Estados Unidos, é bastante indicada para quem vive em apartamento. “Ele não faz barulho, não dá trabalho, é brincalhão e dorminhoco”, conta Thiago.
Ana Carolina brinca muito com o ferret Teddy em seu brinquedinho, um tubo, e até de esconde-esconde. “Depois, ele deita na redinha e dorme bastante”, conta a menina. A mãe Stella Maris Cruz elogia o bichinho. “Ele não faz sujeira. A gente deixa solto no apartamento e não temos problemas”, comenta.
O único susto que levaram foi um dia que a janela do 12.º andar estava aberta e o Teddy havia sumido. “Pensamos que ele tinha pulado, mas felizmente o Teddy passou pela varanda para o apartamento da vizinha”, finalizam Ana Carolina e Thiago.