De acordo com o cirurgião gastroenterologista Alexandre Bakony Neto, a lei que regulamenta as doações para o transplante de fígado no País, aprovada em 1997, não contempla a gravidade do doente, mas sim a ordem cronológica de entrada do paciente, conforme a seqüência de inscrição na lista de espera. “A exceção é feita para as urgências, ou seja, falência hepática adulta. Nesses casos, os doentes são priorizadosâ€, afirma.
Na opinião do cirurgião, o critério é injusto e tem sido motivo de muita discussão. Isso porque, atualmente, existe um alto índice de mortalidade na lista de espera, que gira em torno de 30%. “O doente espera às vezes 30 meses e nesse meio tempo ele tem descompensações clínicas que acabam o levando a óbitoâ€, explica.
No Brasil, segundo Bakony, onde o tempo de espera na fila é significativamente maior do que em outros países, o número de doações ainda está muito aquém da demanda. “Se comparado com décadas anteriores, nós estamos evoluindo em quantidade de doações, mas ainda estamos muito longe do número ideal de doadores necessários pela quantidade de doentes que nós temos em listaâ€, afirma.
Em média, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), apenas 10% dos inscritos são transplantados a cada ano, após espera de aproximadamente 24 meses.
Segundo o cirurgião, já existiram várias tentativas do governo para regulamentar a doação de órgãos, mas elas não teriam surtido efeito. Atualmente, segundo ele, o critério que prevalece é o da autorização familiar. “Não adianta estipular leis e regulamentar certas coisas autoritariamente, porque não vão funcionarâ€, opina. Para ele, a saída é a realização de campanhas permanentes de conscientização, que alertem as pessoas sobre a importância do assunto.
Em outros países, segundo Bakony, a prática de doação e captação de órgãos é muito eficiente. Em Miami (EUA), por exemplo, a lista de espera gira em torno de cinco meses. “A quantidade de doações que você tem nos EUA, onde isso está mais enraizado na cultura do povo, é muito superior a que nós efetivamente temos aqui no Brasilâ€, afirma.