Geral

Arte de defesa pessoal ganha adeptos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Resolver objetivamente qualquer situação de violência, seja agressão armada ou não, com um ou vários agressores e até mesmo com reféns. Este é o principal objetivo da skazi, arte de defesa pessoal israelense já utilizada por várias polícias mundias que vem conquistando adeptos em Bauru.

Édson Calixto é mestre na arte há cerca de 15 anos e atualmente ministra aulas na cidade para 45 alunos. Graduado em um instituto israelense especializado na modalidade, ele destaca que os princípios de defesa pessoal da skazi baseiam-se em técnicas, não na força. “Ela é 100% técnica”, enfatiza.

Ele explica que seus golpes são curtos e rápidos e visam atingir os pontos vitais e de grande sensibilidade do corpo humano, principalmente os músculos, não importando o tamanho ou força do agressor. “Por isso, qualquer pessoa, independentemente de seu tipo físico, sexo ou idade, torna-se capaz de se defender e aprender skazi para garantir sua integridade física e mental”, destaca Calixto.

Ele pondera, ainda, que a skazi não é arte marcial e não há campeonatos da modalidade. “Ela é a única luta conhecida como arte de defesa pessoal e deve ser encarada apenas como tal”, frisa o mestre.

Calixto explica que a técnica da skazi é baseada na força da mente e do intelecto através da transferência de peso e “explosão”. “O movimento do golpe funciona como uma mola contida que é liberada: a velocidade não vai aumentando durante o percurso, pois ele já sai com velocidade máxima. O que conta é a força da explosão”, ensina.

O mestre da arte acrescenta que todos os movimentos da skazi são montados com base no movimento natural do corpo. “Isso facilita a reação em situações de perigo e surpresa. Por isso, não há regras”, considera Calixto. Ele completa, porém, que os golpes são violentos. “Eles visam, basicamente, provocar fortes dores no agressor”, detalha.

Outro princípio fundamental das técnicas skazi, conforme Calixto, é que só se deve reagir quando houver confiança extrema no sucesso do golpe. “A reação deve ser o último recurso e precedida por uma enorme confiança”, frisa o mestre.

Para o professor, as técnicas da skazi trazem vários benefícios. “Qualquer ser vivo quer saber se defender de uma agressão física. O não sentir-se ameaçado, o sentir-se capaz, acreditar em si mesmo, a luta pela superação pessoal e o desafio de se impor um objetivo e cumpri-lo levam o aprendiz de defesa pessoal a uma vida física e mental mais saudável”, garante.

Além disso, continua Calixto, o autocontrole, tanto da mente quanto do corpo, também é desenvolvido. “Através do treinamento, o aluno aprende a controlar seus cinco sentidos e desenvolver a capacidade de perceber os movimentos antes de serem esboçados”, afirma ele.

Quem faz “coro” ao mestre sobre as vantagens da skazi são seus alunos. Mário Luis Garcia, que pratica a arte há 15 meses, é só elogios. â€œÉ bom para o corpo e a mente. Além de ajudar a combater o estresse, me sinto muito mais seguro e tranqüilo para sair de casa. Isso porque já sei como lidar em várias situações perigosas”, ressalta.

Outro pupilo de Calixto também possui mesmo raciocínio. Daniel Mansano é formado em capoeira e, após constatar a eficiência da skazi, resolveu aprender seus princípios. “Treinamos para estar sempre preparados fisicamente e mentalmente às supresas lá de fora”, enfatiza.

A skazi segue um sistema de graduação de cores de faixas similar ao das artes marciais. Ela divide-se em seis categorias: branca (oito meses), branca com um anel amarelo (12 meses), amarela (18 meses), preta (24 meses), preta com um anel dourado (24 meses) e preta com dois anéis dourados (término).

Apesar destas graduações, Calixto destaca que, dependendo do nível de envolvimento do aluno no processo de aprendizagem, é possível dominar as técnicas skazi entre quatro e seis meses.

Serviço

Interessados em saber mais sobre a arte podem entrar em contato com Édson Calixto pelo telefone (14) 3236-2443, ou na rua Bolívia, 2-60.

Surgimento

Tendo como mentor intelectual Zani Skazi, a arte tem como berço os movimentos de resistência de judeus da Europa durante a segunda guerra mundial. Ela se desenvolveu e amadureceu em Israel, principalmente após a independência do Estado em 1948, quando tornou-se a filosofia de defesa adotada pelo Tzahal, o serviço militar israelense.

Atualmente, seus princípios são utilizados pelo FBI (polícia federal americana), pelas polícias de Los Angeles e da Califórnia, pela força contra terroristas da França e por diversos grupos de guarda-costas de elite.

Comentários

Comentários