Resolver objetivamente qualquer situação de violência, seja agressão armada ou não, com um ou vários agressores e até mesmo com reféns. Este é o principal objetivo da skazi, arte de defesa pessoal israelense já utilizada por várias polícias mundias que vem conquistando adeptos em Bauru.
Édson Calixto é mestre na arte há cerca de 15 anos e atualmente ministra aulas na cidade para 45 alunos. Graduado em um instituto israelense especializado na modalidade, ele destaca que os princípios de defesa pessoal da skazi baseiam-se em técnicas, não na força. “Ela é 100% técnicaâ€, enfatiza.
Ele explica que seus golpes são curtos e rápidos e visam atingir os pontos vitais e de grande sensibilidade do corpo humano, principalmente os músculos, não importando o tamanho ou força do agressor. “Por isso, qualquer pessoa, independentemente de seu tipo físico, sexo ou idade, torna-se capaz de se defender e aprender skazi para garantir sua integridade física e mentalâ€, destaca Calixto.
Ele pondera, ainda, que a skazi não é arte marcial e não há campeonatos da modalidade. “Ela é a única luta conhecida como arte de defesa pessoal e deve ser encarada apenas como talâ€, frisa o mestre.
Calixto explica que a técnica da skazi é baseada na força da mente e do intelecto através da transferência de peso e “explosãoâ€. “O movimento do golpe funciona como uma mola contida que é liberada: a velocidade não vai aumentando durante o percurso, pois ele já sai com velocidade máxima. O que conta é a força da explosãoâ€, ensina.
O mestre da arte acrescenta que todos os movimentos da skazi são montados com base no movimento natural do corpo. “Isso facilita a reação em situações de perigo e surpresa. Por isso, não há regrasâ€, considera Calixto. Ele completa, porém, que os golpes são violentos. “Eles visam, basicamente, provocar fortes dores no agressorâ€, detalha.
Outro princípio fundamental das técnicas skazi, conforme Calixto, é que só se deve reagir quando houver confiança extrema no sucesso do golpe. “A reação deve ser o último recurso e precedida por uma enorme confiançaâ€, frisa o mestre.
Para o professor, as técnicas da skazi trazem vários benefícios. “Qualquer ser vivo quer saber se defender de uma agressão física. O não sentir-se ameaçado, o sentir-se capaz, acreditar em si mesmo, a luta pela superação pessoal e o desafio de se impor um objetivo e cumpri-lo levam o aprendiz de defesa pessoal a uma vida física e mental mais saudávelâ€, garante.
Além disso, continua Calixto, o autocontrole, tanto da mente quanto do corpo, também é desenvolvido. “Através do treinamento, o aluno aprende a controlar seus cinco sentidos e desenvolver a capacidade de perceber os movimentos antes de serem esboçadosâ€, afirma ele.
Quem faz “coro†ao mestre sobre as vantagens da skazi são seus alunos. Mário Luis Garcia, que pratica a arte há 15 meses, é só elogios. â€œÉ bom para o corpo e a mente. Além de ajudar a combater o estresse, me sinto muito mais seguro e tranqüilo para sair de casa. Isso porque já sei como lidar em várias situações perigosasâ€, ressalta.
Outro pupilo de Calixto também possui mesmo raciocínio. Daniel Mansano é formado em capoeira e, após constatar a eficiência da skazi, resolveu aprender seus princípios. “Treinamos para estar sempre preparados fisicamente e mentalmente às supresas lá de foraâ€, enfatiza.
A skazi segue um sistema de graduação de cores de faixas similar ao das artes marciais. Ela divide-se em seis categorias: branca (oito meses), branca com um anel amarelo (12 meses), amarela (18 meses), preta (24 meses), preta com um anel dourado (24 meses) e preta com dois anéis dourados (término).
Apesar destas graduações, Calixto destaca que, dependendo do nível de envolvimento do aluno no processo de aprendizagem, é possível dominar as técnicas skazi entre quatro e seis meses.
Serviço
Interessados em saber mais sobre a arte podem entrar em contato com Édson Calixto pelo telefone (14) 3236-2443, ou na rua Bolívia, 2-60.
Surgimento
Tendo como mentor intelectual Zani Skazi, a arte tem como berço os movimentos de resistência de judeus da Europa durante a segunda guerra mundial. Ela se desenvolveu e amadureceu em Israel, principalmente após a independência do Estado em 1948, quando tornou-se a filosofia de defesa adotada pelo Tzahal, o serviço militar israelense.
Atualmente, seus princípios são utilizados pelo FBI (polícia federal americana), pelas polícias de Los Angeles e da Califórnia, pela força contra terroristas da França e por diversos grupos de guarda-costas de elite.