Entre as muitas coisas boas que vivenciei cotidianamente na Segunda Bienal do Livro de Bauru, está a palestra do professor Pasquale Cipro Neto, que veio a avalizar a minha forma de ensinar português: nada de gramatiquice, mas o necessário e indispensável conhecimento básico gramatical, para que se possam produzir textos válidos, em bom português.
Aproveito o ensejo para também me congratular com o deputado Rabelo, que defende, por meio de legislação adequada, o uso de palavras em português, para os anúncios e cartazes, que vemos usando o inglês, muitas vezes até de maneira bem errada.
A nossa língua portuguesa tem todos os termos, os verbetes, as palavras que podem perfeitamente expressar as idéias ali expostas, em bom português, até porque a língua portuguesa é muito mais rica em verbetes e em sinonímia do que a inglesa, que é pobre, até nos seus tempos e modos verbais, bem como nas flexões das pessoas pronominais.
Em Portugal e na Espanha, não sei se por força de lei, ou pela cultura do povo, usam-se somente palavras das respectivas línguas e quando são obrigados a usar o nome de um produto patenteado, transformam-no em pronúncia adaptada à língua, lendo exatamente como se escreve, sem fazer nenhum tipo de concessão à pronúncia em outra língua que não a própria.
Se fôssemos um pouco mais cultos e se amássemos mais a nossa língua, certamente faríamos o mesmo, ao invés de usar uma imitação barata que a única coisa que denota é a nossa incultura imitativa. Tivemos na família uma babá que cantava muito bem em inglês, sem jamais conhecer sequer uma palavra dessa língua tão onomatopaica nas suas cantigas, que facilita aos imitadores que almejam parecer cantores de língua inglesa.
Isolina Bresolin Vianna - Acad. Bauruense de Letras - Cad. 12