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Futuro começa na primeira infância


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Cada vez mais, a educação e os cuidados na primeira infância vêm sendo tratados como assuntos prioritários de governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil, por um número crescente de países em todo o mundo. Esta especial atenção à criança de zero a 6 anos, não se deve apenas à observância dos compromissos firmados internacionalmente, como a Declaração Universal dos Direitos da Criança, mas sobretudo à compreensão mais ampla de que o presente e o futuro de uma nação caminham nos pés de suas crianças. Nas últimas décadas, várias pesquisas têm demonstrado que o atendimento educacional de qualidade durante os primeiros anos de vida tem um impacto extremamente positivo no curto, médio e longo prazo, gerando benefícios educacionais, sociais e econômicos mais expressivos do que qualquer outro investimento na área social. Melhor desempenho na escolaridade obrigatória, menores taxas de repetência e evasão, e maior probabilidade de completar o ensino médio foram observados entre os que tiveram acesso à educação infantil de qualidade, quando comparados aos que não tiveram esta oportunidade.

A freqüência a instituições de educação infantil também afeta indireta e positivamente o status no emprego na medida em que aumenta a competência escolar, além de estar também associada a atitudes positivas na busca de realização profissional. Análises econômicas têm demonstrado que é no início da vida que os investimentos públicos e sociais encontram seu melhor custo benefício para o aperfeiçoamento das habilidades humanas, sejam elas intelectuais ou emocionais. A educação infantil é, assim, uma das políticas mais importantes para o desenvolvimento humano e social, constituindo-se também em uma poderosa estratégia no combate à pobreza e à exclusão social.

Este reconhecimento levou as nações a assumirem, em Dacar, em 2000, entre os compromissos pela “Educação para Todos”, a meta de ampliar a oferta e melhorar a qualidade da educação e dos cuidados na primeira infância, com especial atenção às crianças em situação de vulnerabilidade. O Brasil é um dos signatários desse compromisso e a Unesco é a instituição das Nações Unidas que tem entre suas atribuições a de apoiar os países no alcance dessa meta. O Banco Mundial, sensível para a importância da primeira infância e ciente dos inúmeros impactos positivos da freqüência à creche e à pré-escola de qualidade criou um fundo especial, o Fundo do Milênio para a Primeira Infância, que está sendo implantado em três países, entre eles o Brasil. O banco fez uma doação inicial, de recurso a fundo perdido, para a constituição deste fundo e o desenvolvimento da proposta de cooperação técnica - que será implementada, em cada Estado, com o apoio do empresariado local. Em reconhecimento à atuação da Unesco na área da educação infantil, ela foi indicada para ser a agência implementadora deste fundo no País, começando pelo Estado do Rio Grande do Sul.

Acreditamos que, com a implantação de políticas públicas voltadas para a primeira infância, é possível contribuir, de forma decisiva, para a melhoria da formação educacional dos brasileiros, garantindo assim um futuro melhor para as crianças de hoje, que amanhã serão os protagonistas do desenvolvimento do Brasil. Para isso, precisamos que todos - governos, empresários, ONGs, sociedade e organismos internacionais - apóiem os primeiros passos de nossas crianças.

O autor, Jorge Werthein, é doutor em educação pela Universidade de Stanford (EUA) e representante da Unesco no Brasil.

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