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Renda e crédito


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Começa existir um certo consenso de que o pior momento da economia brasileira já passou. Pelo menos é o que indicam os números do lado monetário da economia. A taxa de câmbio não sofre tanta pressão; os juros futuros apontam para queda; os títulos do governo são aceitos com facilidade. A grande dúvida refere-se à capacidade de retomada do crescimento. Será que teremos um incremento na produção de forma generalizada? O setor primário (agropecuária) da economia já vem observando excelente desempenho puxado por um mercado externo comprador.

Os demais setores esperam a recuperação. O setor automobilístico, por exemplo, divulgou crescimento de 24,1% nas vendas em setembro. Parte fruto da redução do IPI (pequena parte, pois várias montadoras optaram pela recuperação da margem de lucro) e outra parte pela própria reversão de expectativas. Os consumidores estão mais confiantes. Isso é um bom sinal. O comércio espera melhor desempenho em função das grandes datas comemorativas daqui para frente.

Na prática, duas grandes variáveis podem auxiliar de forma contundente essa recuperação: a renda e o crédito. O achatamento da renda é fato. Queda real (acima da inflação) significativa. Isso tudo tendo como pano de fundo o desemprego e o crescimento da informalidade. Portanto, por essa via, no curto prazo, dificilmente teremos incremento no produto interno. O crédito é outra via. A queda da taxa de juros, combinada com redução do compulsório (que aumentaria o multiplicador bancário), combinada com ações mais firmes do governo no sentido de “forçar” os bancos a disponibilizarem mais recursos ao tomador final, podem auxiliar no incremento das vendas.

Juros menores também são indicativos de menor atratividade na poupança (aplicação dos recursos), podendo levar os investidores para Bolsa de Valores (oxigenam as empresas com recursos baratos) ou ainda para o consumo. Como há estoques de produtos, esse movimento não seria capaz de elevar os preços dos produtos, portanto, a inflação se manteria estável. Alternativas para a retomada do crescimento há, basta uma sinalização mais contundente do governo federal, saindo do discurso de que a virada virá, agindo para que ela efetivamente ocorra. Afrouxar a política monetária é um caminho.

O autor, Reinaldo Cafeo, é mestre em comunicação, economista, delegado do Corecon e vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru.

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