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HB suspende serviço de hemodiálise

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O serviço de hemodiálise do Hospital de Base de Bauru (HB) está com o atendimento interrompido temporariamente devido a alguns possíveis riscos para a segurança dos pacientes. Desde anteontem, os 103 doentes renais crônicos que necessitam do processo e eram atendidos normalmente no HB estão sendo encaminhados para hospitais de cidades da região.

A hemodiálise é um processo terapêutico em que o sangue de pacientes com deficiências renais crônicas passa pela depuração de substâncias nocivas ao organismo, realizada atráves de um aparelho. O dirigente da Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, comenta que a prática da hemodiálise em si já envolve riscos, pois os pacientes estão em uma situação alterada em função do problema renal.

“Ele é alguém que precisa de um rim artificial, então não é um paciente em suas condições clínicas normais. Nossa ação foi para garantir que os riscos sejam os menores possíveis”, afirma Viviani. O tratamento de hemodiálise é realizado no HB há menos de dois anos e vinha funcionando dentro das normas da Vigilância Sanitária.

O HB conta com 24 aparelhos de hemodiálise na unidade e mais dois na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Há cerca de 60 dias, os médicos do centro de hemodiálise começaram a observar manifestações clínicas em alguns pacientes durante o processo, como tremores e calafrios. “São coisas que, eventualmente, acontecem no tratamento, pois os fatores de risco são vários. A Vigilância Sanitária foi comunicada e foi iniciado um processo de monitoramento para identificar e resolver o problema”, diz o dirigente da DIR-10.

No entanto, mesmo com as ações realizadas pela equipe técnica do HB, não foi obtida uma solução e os pacientes continuaram a reclamar dos incômodos. “Tivemos de mudar nossa estratégia e suspender temporariamente o serviço, para poder rever todos os pontos do processo, desde a captação da água até a manipulação do paciente. A decisão foi tomada de comum acordo pela equipe técnica e direção do serviço e a DIR”, afirma Viviani.

Os pacientes do HB estão sendo direcionados para hospitais de Lins, Jaú, Marília, Botucatu, Araraquara, São Carlos e Piracicaba. Se for necessário, de acordo com Viviani, ainda há vagas em Botucatu e Jaú, e hospitais de Ourinhos e Avaré também já estão cientes da situação em Bauru.

O administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), responsável pelo HB, José Cardoso Neto, comenta que a situação dos pacientes já foi normalizada ontem. “Alguns pacientes fazem a hemodiálise às segundas, quartas e sextas, e outros, às terças, quintas e sábados. As prefeituras de Bauru, Agudos, Avaí e Borebi arrumaram ônibus e microônibus para transportar os pacientes, e assim conseguimos equalizar a demanda”, declara.

O processo da hemodiálise demora cerca de quatro horas para ser realizado. Ilza Souza Santos, 62 anos, que fez hemodiálise ontem na Santa Casa de Marília, disse que o único problema é a viagem. “Foi tudo bem, mas a viagem é cansativa. Aqui em Bauru é muito melhor”, frisa ela que faz três sessões de hemodiálise por semana.

Com a interrupção do serviço, a equipe técnica do HB começa a verificar a situação do centro de hemodiálise, com o monitoramento da DIR-10. Cardoso lembra que a ocasião também será aproveitada para a substituição e atualização de algumas peças dos aparelhos. Quando o problema for identificado, o serviço ainda vai passar por uma fase de revalidação pela Vigilância Sanitária, para garantir sua qualidade. Só então, o atendimento poderá ser retomado. A expectativa é de que isto aconteça dentro de 15 dias.

“É desconfortável ao paciente, que terá de se deslocar até outras cidades. Isso atrapalha, mas é uma medida que visa garantir o seu próprio bem-estar. A hemodiálise é um tratamento de risco, e temos de agir para que os riscos sejam os menores”, conclui Viviani.

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