As preocupações com assalto, doença e falta de dinheiro são as mais recorrentes entre os profissionais do sexo. Do total de 35 entrevistados na pesquisa elaborada pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), 17,14% demonstraram esse medo.
Nas ruas, o receio com relação à violência a que estão vulneráveis é ainda mais evidente. Enquanto a reportagem do JC conversava com dois profissionais do sexo, eles apontaram pelo menos dois clientes - que passaram de carro pelo ponto - que quase figuraram em boletins de ocorrência.
“Aquele lá me roubou duas vezes”, aponta Natasha, que não acionou a polícia na época. Segundo ela e a colega Stephany, a ocorrência policial não resolveria o problema, que poderia ser agravado.
“Uma vez, um cliente fez o programa e, na volta do motel, no meio do caminho, enfiou uma arma da minha cabeça e disse que não ia pagar. Eu tinha como discordar?”, questiona Stephany.
Ameaças com arma também enfrentou Ingrid, que por essa razão se submeteu à proteção de um homem, por um curto período de tempo.
“Ele prometia segurança em troca de dinheiro, mas só nos explorava. Quando as meninas não o pagavam semanalmente, eles as agredia e até as estuprava”, recorda. O rapaz foi preso acusado pela morte de uma garota de programa e morreu na Cadeia Pública de Bauru com o vírus do HIV.
Constrangida, ela confessa que ele - assim como outros profissionais da área - mantinha atividades paralelas, como o tráfico de drogas.
Sem apresentar números, tanto a Polícia Civil como a Militar confirmam que, em alguns pontos da cidade, os comerciantes de entorpecente fazem uso da prostituição.
“Os travestis, principalmente, são usuários de drogas. Não temos conhecimento de agressões contra eles (profissionais do sexo)”, explica o comandante da 1ª Companhia de Polícia Militar, capitão Benedito Roberto Meira.
O delegado titular pelo 3º Distrito Policial (DP), Marcelo Haddad, confirma a informação. Segundo ele, são raros os casos em que os profissionais do sexo constam como vítimas em boletins de ocorrência. A mesma constatação foi feita pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
Mesmo assim, pesquisa alertou as polícias Militar e Civil para os casos de violência contra homens e mulheres de programa.
“O levantamento é importante porque baliza as medidas que serão tomadas”, esclarece Haddad.
Ainda que a violência seja contida, membros do Grupo de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT - ligado ao PSTU) não enxergam na criação de um sindicato que possa representar os profissionais do sexo uma saída para o problema.
“Todo tipo de organização é bem-vinda, mas um sindicato iria legitimar a exploração sexual. O ideal é que sejam criadas oportunidades de emprego digno para todos, para dar fim a essa atividade que chega a ser desumana. A prostituição é um reflexo da sociedade capitalista”, conclui Isabel Carvalho, integrante do grupo GLTB.