O Escritório de Negócios (EN) da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru paralisou a liberação de novos financiamentos para a casa própria com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), pelo menos até o final de 2003. O motivo seria o esgotamento dos recursos destinados a esse tipo de contrato na região para este ano.
De acordo com o superintendente interino do EN, Olair Ribeiro Filho, o banco já liberou R$ 29 milhões neste ano para mutuários e ainda resta um saldo de R$ 8,1 milhões. “Mas eu já tenho comprometido algo superior a este valor”, diz. Segundo ele, são pessoas interessadas em aderir, que numa primeira análise tiveram a proposta de financiamento aprovada.
No caso de imóveis usados, a Caixa também tomou uma medida de contenção: reduziu de 80% para 50% o valor total do teto de financiamento. No total, o EN de Bauru assinou 1.841 contratos neste ano - a previsão é fechar 2003 com 2.350 contratos. Os imóveis usados respondem por 50% a 60% da carteira da instituição. “Esse número está dentro da média anual que a gente tem”, afirma o superintendente.
De acordo com Ribeiro Filho, os recursos para imóveis financiados pelo FGTS voltam ao normal no ano que vem. “A gente está segurando momentaneamente (a liberação) até começar a demanda de 2004”, diz. Segundo a assessoria de imprensa da Caixa, o orçamento para essa linha de crédito sofreu aumento de 25% em relação a 2002.
Até agora, já foram contratados 83% dos R$ 2,05 bilhões disponíveis para 2003. No total, os recursos da Caixa para a habitação em 2003 somam R$ 5,3 bilhões - valor 10% superior ao de 2002. Ainda segundo a assessoria, outros ENs do banco no País também adotaram as medidas de contenção para financiamentos.
Atenção
Apesar da Caixa comemorar a suspensão dos financiamentos como “superação de expectativas”, os mutuários precisam ficar atentos às outras opções. De acordo com a advogada Marizabel Ghirardello, presidente da Associação de Mutuários e Moradores de Bauru e Região (Ammbre), as linhas de financiamento por meio do FGTS são as mais benéficas aos mutuários.
A advogada recomenda aos interessados em financiar a casa própria que esperem pela retomada das linhas do FGTS no ano que vem, com contrato pelo Sistema Financeiro Habitacional (SFH). “As pessoas têm que tomar cuidado, na hora de assinar, porque já está sendo aplicado o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que é alienação fiduciária. Esse tipo de contrato é muito perigoso”, afirma. Segundo ela, nos contratos do SFI a formas de execução é mais rápida.