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Reduzindo as ganâncias


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Convenha-se que a vida seja hoje gulosa e exigente pela própria natureza, em todos os sentidos e em todas as suas inúmeras espécies. Quem duvidar disso que se desperte para tudo quanto ela vem impondo aos viventes e há de confirmar facilmente a veracidade da afirmativa. Aos seres humanos, por exemplo, ela exige não só alimentação vasta e contínua como remédios periódicos, sem os quais podem eles vir a perecer antes da sua vontade ou disposição. Não é diferente a vida das aves e animais silvestres, haja vista a inexistência de alguma penosa (andorinha, periquito etc) que não tenha, determinado dia, uma terrível “enxaqueca”, necessitada de socorro, assim como certos peludos, tipos leões e tigres, que vivam permanentemente sem qualquer “chilique”, desnecessitados vez ou outra de tentar invadir alguma farmácia ou drogaria, confiantes em seus rugidos ferozes, na busca deste ou daquele “analgésico” para amenizar suas dores... Urge, então, que os poderes governamentais tenham sempre as suas atenções voltadas para o custo daquilo que as populações humanas, animais e avícolas, não podem abrir mão para a sua subsistência normal, quer dizer, adoecendo e morrendo somente quando chegada a sua hora, previamente definida no instante em que são concebidos. Não vem sendo assim e os depósitos de mercadorias consumíveis pelos seres em geral têm sido levados com inteira liberdade de preços, não escapando do problema os medicamentos específicos, dos quais depende estritamente o prolongamento da existência de uns e outros. Tentam, por isso, os órgãos governamentais obstaculizar o campo da comercialização de remédios, a sua contínua elevação de preços, considerando que as cotações já alcançadas, notadamente por medicamentos excepcionais, “estão se transformando em pesadelo para os administradores na área da saúde”. Não pode a ação administrativa nacional circunscrever-se unicamente ao terreno dos comestíveis, como está acontecendo, precisando marchar também, com toda firmeza, para o círculo dos medicamentos, que não matam a fome porém exterminam as doenças. O noticiário tem dado conta disso. “O governo quer limitar drogas caras”, frisa a manchete, e é exatamente isso que o panorama está impondo. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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