Tribuna do Leitor

Racionalizar é preciso


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Dádiva da natureza e condição essencial de toda a vida na Terra, durante milênios a água doce foi considerada um recurso abundante, inesgotável e renovável. Nas últimas décadas, porém, a diminuição das disponibilidades de água limpa em todo o planeta - devido à demanda crescente e ao mau uso começou a preocupar governos e especialistas do mundo inteiro. Tanto que, há dois anos mais ou menos, alguém fez um alerta dramático: “O século 20 viu guerras causadas por diferenças ideológicas, religiosas e políticas, ou pelo controle das reservas de petróleo. Já o século 21 poderá ser dominado por conflitos provocados pela escassez de outro líquido: a água”.

Considerada um dos mais graves problemas da atualidade a questão da escassez e do futuro da água voltou a ser tratada no Segundo Fórum Mundial da Água, realizado em março de 2.000, em Haia (Holanda). O tamanho do problema só reforça em todos - de governos e organismos internacionais a ecologistas e empresários - a certeza de que a água será a grande riqueza do século 21. Mais do que isso, poderá se tornar o principal lastro da economia mundial, assim como aconteceu com o ouro até o século 19 e com o petróleo neste século. Hoje, a escassez da água limpa já é uma fonte de conflitos. Tanto entre países onde sua falta é crônica, como nas comunidades onde o aumento da demanda ou a degradação dos mananciais comprometem as atividades econômicas e o abastecimento urbano.

No Brasil, os problemas ligados à água não são nada desprezíveis. Nesse contexto, está Bauru com o rio Batalha sumindo, provocando um movimento a favor da racionalização do uso da água e do correto gerenciamento dos recursos hídricos disponíveis como a própria idéia de se cobrar pelo seu uso e abuso.

Disse alguém com propriedade: “Tem que haver uma grande mudança cultural a respeito, quando o usuário tem que se conscientizar de que a água é um bem econômico, com um valor real determinado e também ser induzido a racionalizar o seu uso. E o pagamento é uma forma de viabilizar a correta administração e a recuperação dos recursos naturais degradados”. Em Bauru, um jovem vereador, Rodrigo Agostinho (PMDB), legislador de visão, comprometido com a coletividade e preocupado com um dos mais graves problemas da atualidade , a questão da escassez e do futuro da água, na sessão de segunda-feira, dia 29 de setembro, entrou com um projeto de lei que previa, após uma advertência, a aplicação de uma multa para quem desperdiçasse água lavando a calçada e o carro com o uso contínuo de água.

Infelizmente, alguns votaram contra o projeto, alegando que a conta poderia sair mais salgada com a multa, outros, achando o projeto arbitrário, patrulhador e até antipático, pois mexer no bolso do munícipe às vésperas das eleições, não é interessante.

O vereador Agostinho não deve desistir. Deve voltar com o projeto, conscientizando a população da triste realidade da escassez de água no futuro, investindo em campanhas educativas que levem os cidadãos a usar mais racionalmente a água, sob pena de ter que pagar sempre mais caro por ela.

Muitos são os que têm olhos, mas são poucos os que enxergam e enxergam longe!

Professor Gino Crês -RG. 3.575.799

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