Quatro clínicas de Bauru receberam 20 doses cada uma de uma vacina para cães contra a leishmaniose visceral. O medicamento denominado comercialmente como Leishmune, estudado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro há dez anos, é anunciado justamente no momento em que o município enfrenta uma epidemia da doença.
A leishmaniose é transmitida pelo mosquito palha e acomete cães e humanos, podendo causar até a morte. Até este ano, Bauru nunca havia registrado a moléstia em humanos, mas agora contabiliza cinco casos, todos em tratamento. Porém, 17 cães contraíram e doença e já foram sacrificados.
A vida dos animais poderia ter sido poupada, caso o medicamento já estive no mercado. Porém, o produto só será comercializado a partir do primeiro trimestre do próximo ano, quando o laboratório Fort Dodge Saúde Animal fabricará a vacina em escala industrial.
De acordo com a assessoria de imprensa do laboratório, a vacina já foi aprovada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, além de ter o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Atualmente, o laboratório está agilizando os processos necessários para a fabricação do produto, cumprindo alguns protocolos e providenciando a comunicação de mercado.
Informações extra-oficiais dão conta de que cada injeção deve ser aplicada a um custo médio de R$40,00. Os animais devem receber três doses do medicamento.
“Por enquanto, estamos aplicando sem ônus ao proprietário do animal, que recebe a dose vacinal sempre com anuência do dono. A vacina é uma esperança. Ninguém gosta de sacrificar o animal”, explica o veterinário e proprietário de uma das quatro clínicas que receberam as vacinas, Marcos Antonio Silverio.
Segundo ele, a distribuição do medicamento teria sido definida por um sorteio realizado entre as clínicas que já trabalham com os produtos Fort Dodge.
“Os animais que receberam a vacina apresentaram reações normais. Alguns demonstraram sensibilidade no local da aplicação, assim como acontece com outras vacinas. Trinta dias após a aplicação da terceira dose, os cães passarão por um teste sorológico realizado pelo próprio laboratório”, esclarece.
Para entrar no mercado, a Leishmune está sendo testada desde 1994, conforme informa a assessoria de imprensa da Fort Dodge. O medicamento apresenta proteção de 95% e foi desenvolvido em várias fases pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A primeira incluiu a realização de testes para verificar a toxidade do produto; a segunda avaliou sua imunogenicidade e resistência; a terceira consistiu em testes de eficácia de campo e a quarta é desenvolvida pelo próprio laboratório.