O Grupo Etra realiza hoje, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, a leitura do texto “O Santo Inquérito”, de Dias Gomes. Realizada pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC), por meio do Projeto Santo da Casa, a atividade integra o Ciclo de Leituras Dramáticas “Panorama do Teatro Brasileiro / 100 anos de História”, que está em sua 5.ª edição. A entrada é gratuita.
Tendo como cenário o século 18, época da Santa Inquisição, o texto faz analogia ao auge da ditadura militar na década de 60. O enredo conta a história de Branca, moça pura e bondosa, mas que é acusada de praticar bruxaria pela Igreja Católica.
Dividida em dois atos, o primeiro mostra o envolvimento da personagem com um religioso. Uma das cenas retrata Branca, tentando salvar o padre Bernardo de um afogamento, fazendo respiração boca a boca.
Depois de voltar a si, o religioso resolve conversar com a moça, que confidencia a ele seu modo simples e puro de ser - que inclui andar nua e tomar banho no mar durante a noite - o que causa certo estranhamento ao padre, que pensa que Branca vive em pecado e não tem Deus no coração.
Apesar disso, ele se apaixona perdidamente por ela, mas é convidado pelo pai da moça para celebrar seu casamento. Mesmo cultivando grande amor por Branca, o religioso tenta convencê-la de todas as maneiras a se converter ao cristianismo, uma clara referência ao que os catequistas portugueses fizeram com os índios durante a colonização.
Já no segundo ato, acusada de bruxaria e heresia por suas convicções e crenças, Branca é denunciada à Santa Inquisição. Torturada, é forçada a confessar seu pecados, mas tinha dificuldades em explicar ao Santo Ofício que encontrar Deus nas pequenas coisas não era sinal de heresia e pecado.
O destino da personagem revela um fim trágico e busca fazer alusão às torturas praticadas pela governo durante a ditadura militar. Reclusa num convento, Branca não se conforma que as freiras fiquem presas num local cheio de paredes cinzas para se encontrarem com Deus.
Seu marido também é preso, mas não resiste às torturas e morre. Acusada pelo tribunal por estar afastada da Igreja, a moça é condenada à ser queimada na fogueira. Ao padre, resta pedir perdão à alma da amada.
• Serviço
Leitura do texto “O Santo Inquérito”, de Dias Gomes, com o grupo Etra, hoje, às 19h, no Teatro Municipal de Bauru. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 3235-1072.
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O autor
Romancista, contista e teatrólogo, Dias Gomes nasceu em Salvador, em 1922. Filho do engenheiro Plínio Alves Dias Gomes e de Alice Ribeiro de Freitas Gomes, com apenas 15 anos escreveu sua primeira peça, “A comédia dos moralistas”, ganhando o 1.º lugar no Concurso do Serviço Nacional de Teatro, em 1939.
Estreou no teatro profissional em 1942, com a comédia “Pé-de-cabra”, encenada no Rio de Janeiro e depois em São Paulo por Procópio Ferreira. Em seguida, escreveu as peças “O Homem que Não era Seu” e “João Cambão”. Em 1943, sua peça “Amanhã Será Outro Dia” foi encenada pela Comédia Brasileira.
Dias Gomes escreveu novelas, mini-séries, contos, casos especiais, filmes, romances, seriados, peças teatrais. Ele morreu em São Paulo, em 1999, e ocupava a Cadeira n.º 21 da Academia Brasileira de Letras.