Turismo

Roteiros da f

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

A fé move montanhas e movimenta também o turismo. Estudo feito pela Empresa Brasileiro de Turismo (Embratur), aponta os produtos e eventos religiosos como um mercado em forte expansão.

Estimativas indicam a existência de 800 empresas do ramo, faturando cerca de R$ 3 bilhões e gerando mais de um milhão de empregos diretos e indiretos.

Basta atentar para os anúncios veiculados nos jornais, revistas e na televisão para se ter uma noção de como a religião está fortemente vinculada ao turismo.

Em São Paulo, somente em setembro, foram realizadas a Expo Católica - Feira Internacional de Livros e Artigos Religiosos, no Expocenter Norte, e a 2.ª Ficoc - Feira Internacional do Consumidor Cristão, no Expo Mart, reunindo expositores, visitantes e compradores e agitando o setor.

Para outubro, o movimento deve ser ainda maior, por conta da romaria a Aparecida do Norte, às procissões do Círio de Nazaré, em Belém do Pará, e a muitos outros santuários onde todas as reverências são prestadas à Virgem Maria.

Em São Paulo, mais precisamente em Aparecida do Norte, a festa de Nossa Senhora Aparecida, dia 12 de outubro, chega a receber cerca de 1 milhão de romeiros. Este ano, pelo fato do dia 12 coincidir com um domingo, a louvação deverá levar ainda mais pessoas ao Vale do Paraíba.

Nesta semana da festa, são realizadas novenas sucedidas de eventos culturais. Procissão luminosa, carreata e a procissão festiva são atividades religiosas que levam o devoto de Nossa Senhora Aparecida a expressar a sua fé.

Ao meio-dia do dia 12, que desde 1953 passou a ser feriado nacional, a população promove uma estrondosa queima de fogos. Em Bauru e na região, várias festas são realizadas em louvor à Nossa Senhora. A carreata entre o distrito de Alba a Piratininga, pela rodovia Bauru-Ipaussu, é um evento tradicional.

Natal dos paraenses

Além do aspecto religioso, o Círio de Nazaré é a festa máxima do povo paraense. Tempo para os filhos que estão longe reencontrarem com seus pais, as famílias se confraternizarem e agradecer pedidos feitos e atendidos.

Em outubro, Belém é pura religiosidade misturada a folclore, cores e sabores.

Durante as duas semanas da festa, do dia do Círio ao dia do Recírio, Belém se transforma num templo sagrado, onde o ponto alto é a confraternização em famílias, simbolizada pelo tradicional almoço do Círio, baseado na culinária regional, que é considerada a mais autêntica do Brasil. O Círio é, portanto, o Natal dos paraenses. O dia mais importante do ano, reunindo mais de 2 milhões de pessoas.

Festa, emoção e fé

Na véspera do grande dia, que este ano coincidirá com o Dia de Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, é realizada a transladação, uma procissão noturna em que o povo conduz a imagem de Nossa Senhora de Nazaré desde a capela do Colégio Gentil Bittencourt até a Catedral Metropolitana de Belém (Igreja da Sé), fazendo um espetáculo indescritível e inesquecível.

Na manhã de domingo, sempre o segundo de outubro, a romaria do Círio sai da Catedral, seguindo um percurso de aproximadamente três quilômetros pelas principais ruas de Belém.

Durante quase cinco horas, a imagem da santa, carregada em uma berlinda ricamente ornamentado com flores naturais, recebe a homenagem do povo até sua chegada na Basílica de Nazaré.

Atrás da imagem de Nossa Senhora, seguem os carros de milagres, as crianças com vestimenta de anjo, as representações paroquianas e o clero.

Os fiéis, agradecendo os pedidos alcançados, tornam ainda mais emocionante o Círio. É comum ver pessoas descalças conduzindo os mais variados objetos.

A corda e o sacrifício

Desde velas de cera até uma réplica da casa própria. Outras pessoas agradecem à santa, distribuindo água aos romeiros durante a procissão. Mas, sem dúvida nenhuma, o que mais comove é ver o sacrifício de milhares de homens e mulheres descalçados, agarrados na corda que envolve a berlinda com a santa, na maior prova de fé e sacrifício do Círio.

A corda representa uma aliança indissolúvel entre a santa e seu povo.

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