Turismo

A Santa do Brasil

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

A canonização de Madre Paulina oficializada pelo papa João Paulo II completou um ano. Em Nova Trento, onde a religiosa viveu de 1875 e 1933, ocorreram mudanças expressivas durante esse tempo. A principal delas foi o aumento do número de visitantes ao Santuário que passou a receber 80 mil pessoas por mês, quatro vezes mais que antes da canonização.

Outra mudança observada ocorreu em relação ao número de hotéis e restaurantes. São quatro restaurantes novos e pelo menos três hotéis prontos ou em construção. Apesar da infra-estrutura ainda ser insuficiente, Nova Trento conta com uma rede hoteleira de apoio nas cidades de Brusque (25 quilômetros) e Balneário Camboriú (55 quilômetros), que ao todo somam mais de 25 mil leitos. Além disso, empresas de transportes rodoviários de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, já chegam ao município com linhas diárias ou semanais.

Souvenir e boa comida

Colonizada por italianos, Nova Trento tem suas raízes vivas na comida farta à mesa, no vinho de boa safra, nos parreirais verdejantes, nas casas típicas e no sotaque carregado de seus moradores.

A cidade oferece nas cantinas casas e restaurantes, uma variedade de pratos e vinhos capazes de satisfazer os mais variados paladares. O turista pode fartar-se livremente, como manda a tradição trentina, e ainda levar produtos coloniais de qualidade como queijos, salames, vinhos, licores, bolachas e toda espécie de geléias e frutas em compotas.

Na estrada de Vígolo, que liga Nova Trento ao Santuário, os investimentos não param. A cada mês surgem novos locais de cafés-coloniais, lojas com souvenires e imagens da Santa. A maioria dos turistas leva lembranças pequenas, que custam barato e fazem pouco volume. Entre elas, porcelanas, chaveiros, medalhas, escapulários, terços e tudo o que lembre Santa Paulina.

Caminhos da fé

Um caminho de peregrinação pode unir duas santas entre Brusque e Nova Trento, se depender do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira. Ele pretende agilizar a construção da Basílica Santa Paulina e dar estrutura ao caminho para que os peregrinos entre o santuário de Santa Paulina e o de Nossa Senhora de Azambuja, em Brusque, integrando o turismo religioso no Vale do Rio Tijucas.

O Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio, situado no Vale de Azambuja, em Brusque, apenas 30 quilômetros de Nova Trento, é ponto de parada obrigatória de turistas de todo o Brasil, que pagam promessas e fazem pedidos à santa ou apenas querem conhecer o local.

A igreja é decorada com vitrais coloridos e cenas da saga de Jesus Cristo expostas em quadros pintados sobre o altar. Um quadro de Nossa Senhora do Caravaggio, vindo da Itália, ainda hoje pode ser admirado na gruta Nossa Senhora de Lourdes, anexa ao Santuário, um espaço onde os fiéis podem acender velas.

Azambuja tornou-se um centro de peregrinações a partir de 24 de abril de 1887, quando a capela recebeu a bênção do Padre Marcello Rocchi. Crescendo o número de romeiros e vendo a importância espiritual que alcançava, o Padre Antônio Eising começou a construção de uma nova igreja, no mesmo ano em que chegou a Brusque, 1982. Ali não se invoca Nossa Senhora de Caravaggio, mas Nossa Senhora de “Azambuja” devido ao vale de Azambuja, onde está localizado o Santuário.

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