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Depois de Cancún


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O primeiro sentimento que alguém deve expressar diante do resultado da reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada em Cancún, é de enorme decepção. Foi desperdiçada uma oportunidade única para tomar decisões importantes, que estavam ao alcance das mãos.

Ao final da Conferência de Cancún, os ministros, reafirmando as decisões adotadas em Doha (2001) e comprometendo-se uma vez mais a trabalhar para aplicá-las, solicitaram que o presidente do Conselho Geral da OMC, em estreita colaboração dom o diretor-geral, continuassem trabalhando e coordenando as questões pendentes de modo a poder convocar uma reunião do Conselho Geral em nível de altos funcionários no máximo até 15 de dezembro deste ano, a fim de nessa oportunidade adotar as disposições que nos permitam avançar para uma conclusão oportuna das negociações.

O resultado de Cancún esfriou a vontade de muitos países de continuar se esforçando em um processo multilateral que desde Doha se caracteriza por um fracasso após outro. Alguns sócios comerciais importantes já falam de caminhos alternativos para o êxito do livre comércio. Outros, questionam severamente os princípios e a organização da OMC e sua falta de adequação às exigências atuais.

Se não conseguirmos reverter a atual situação antes do final do ano e voltar a manter o processo de negociação em bases firmes que assegurem a confiança e a credibilidade, não somente se comprometerá o prazo de 1 de janeiro de 2005 para o final desta rodada, ou eventualmente a continuação da mesma rodada, como também a própria relevância do sistema multilateral de comércio estará seriamente questionada. Por isso, já iniciamos em Genebra esta importante e decisiva nova etapa.

Conforme os conceitos de transparência e inclusão que matemos em todo o processo preparatório para Cancún, iniciaremos nossos trabalhos com uma reunião informal do Conselho Geral de composição aberta, para garantir uma ampla e ativa participação de todos os membros. Nela informaremos sobre os objetivos e procedimentos que temos intenção de implementar para levar a cabo nossos trabalhos, que se concentrarão naquelas áreas ou temas fundamentais em que persistem as principais divergências.

Apesar da delicada situação atual e das enormes dificuldades que teremos que superar para ressuscitar estas negociações, pensamos sinceramente que não se trata de uma missão impossível. Seu sucesso será, sem dúvida alguma, benéfico para todos, e acredito na sabedoria e bom julgamento coletivo dos membros para encontra campos comuns nos temas cruciais que ainda nos separam.

O autor, embaixador uruguaio Carlos Pérez Del Castillo, é presidente do Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio.

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