Esportes

Esporte municipal: Novo secretário vai priorizar base

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 5 min

Para o novo titular da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), que assumiu o cargo segunda-feira, planejar e investir nas categorias de base serão os pontos principais da sua administração. “Queremos transparência, tudo com os pés no chão”, disse o secretário.

Nascido em Itirapina, bauruense por adoção, Edison Massa, 69 anos, 55 deles dedicados ao esporte - principalmente ao futebol - acha que a cidade tem bom potencial esportivo, mas reconhece que a situação poderia ser melhor, se não fosse a forte crise financeira.

O novo secretário de Esportes do município se formou em odontologia, mas não exerce a profissão há alguns anos. Foi um bom jogador e árbitro de futebol. Atuou em vários clubes da cidade e região, tem o título de campeão invicto do Amador de Bauru em 1959, pela Sanbra. Defendeu também o BAC, participante da Segunda Divisão de Profissionais na década de 60. Esteve na arbitragem de 1968 a 84, integrando os quadros da Federação Paulista e da CBF

Massa se sente à vontade para exercer o cargo que assumiu, porque já esteve no setor, quando Tidei de Lima foi o prefeito e Dudu Ranieri o secretário, na época Selt (Secretaria de Esportes Lazer e Turismo).

“Tenho certo conhecimento sobre o funcionamento da secretaria. Eu era diretor de futebol e tivemos a felicidade de organizar um campeonato que contou com três mil garotos”, lembra.

“Para se inscrever, o atleta tinha que apresentar RG. Se não tivesse esse documento, era obrigado a tirá-lo. Isso evitaria os ‘gatos’ (gíria conhecida no futebol para os que escondem a idade, falsificam documentos) nas várias categorias daquela copa mirim”.

A última competição do gênero tinha sido em 1953, idealizada por Nicola Avalone Júnior, diretor do até então Diário de Bauru. Até hoje a Secretaria de Esportes promove o campeonato da garotada, agora denominado Copa Big Boys, que este ano foi iniciada com 115 times.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Jornal da Cidade - Como está o esporte bauruense? Edison Massa - Temos duas boas ligas de futebol amador e uma de futsal, com 86 equipes filiadas. Bauru brilha no tênis, por tradição, no judô e no vôlei e em outras modalidades. Claro que o nosso esporte poderia estar melhor se não fosse a terrível falta de dinheiro. Posso dizer que de um modo geral, tem potencial.

JC - Como enfrentar a crise? Massa - Precisamos de planejamento, organização. Investir nas categorias de base é fundamental. Sou pela prata da casa, mas é de vital importância que a juventude esportiva tenha um bom suporte. Por isso planejamos. Coisa sem rumo, evidentemente, não chega a lugar nenhum.

JC - Há uma maneira de alguma modalidade fazer sucesso mesmo sem patrocínio? Massa - Difícil, principalmente se for esporte coletivo. Sem um patrocinador é quase impossível a Semel gastar com o alojamento, deslocamento e outras despesas dos atletas. Se não for possível a gente bancar uma viagem, por exemplo, deixamos a equipe à vontade para decidir se deixa ou não competição. Claro que não é isso o que a gente quer, mas milagre só Deus faz. Mário Sabino não compete mais por Bauru porque aqui ele não tinha condições de seguir a carreira como atleta olímpico. Ele está certo em competir agora por São Caetano, se não, seria prejudicado.

JC - Como recebeu a Semel? Massa - Quando um prefeito é eleito em outubro e assume em janeiro, a situação não é tão ruim como agora. É complicada a fase que estamos passando. Só sei que dinheiro não existe, isso vem de longe. Estamos fazendo um levantamento para sabermnos o montante da dívida.

JC - Qual sua opinião sobre extinção de uma equipe campeã estadual e nacional, o Bauru Basquete? Massa - Mataram a galinha dos ovos de ouro, a revelação de valores, não só no basquete e sim em vários esportes, principalmente no futebol. Concordo com a formação de times de ponta, mas não podemos se esquecer da base. A torcida vibrou com as grandes conquistas e foi bom enquanto durou. Mas perdemos uma geração. Hoje não temos mais estrelas, atletas importados e nem novos talentos; e arranjar um bom patrocinador numa época ruim dessa, de crise mundial, não é fácil. É por isso que preconizamos um investimento cada vez maior nas escolinhas e na prata da casa. Com isso, no futuro, poderemos ter novos Mário Sabino.

JC - A prefeitura ajuda o Noroeste? Massa - Uma verba é destinada ao clube para o futebol amador e atletismo. Muitas cotas estão em atraso, mas estamos fazendo de tudo para que todas elas sejam pagas. Quanto ao time principal, sem chances. A lei não permite ajuda financeira ao profissionalismo e além disso, não temos nenhuma condição em destinar qualquer tipo de verba. Aliás, se a Semel for procurada agora pelo Noroeste, para uma parceria de eventual sede da Copa São Paulo Júnior, isso vai depender da situação financeira. É muito chato dizer sim, no ato, e não cumprir depois.

JC - O que acha da desistência de Bauru dos Jogos Abertos? Massa - Muitos atletas ficaram tristes, alguns, revoltados, mas não culpo meu antecessor (José Roberto Franco, o Sapé, ex-secretário de Esportes), porque a situação era difícil e continua difícil. Sapé tem lá suas razões, que prefiro respeitá-las. Há alguns dias, num esforço incomum, tentamos inscrever Bauru, mesmo com uma delegação incompleta, mas o prazo para as inscrições tinha se encerrado.

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