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Circulando: Pequenas motos, grandes emoções

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

O que você pensaria se lhe falassem que alguém já viajou milhares de quilômetros em motocicletas de baixa cilindrada teoricamente mais indicadas para o trânsito urbano? Coisa de maluco? Não para Leandro Donato Ferreira, morador de Bauru há 13 anos e autor de várias “peripécias” do gênero.

Apaixonado por motos desde os 18 anos, quando habilitou-se para dirigi-las, Leandro também adora “cair” na estrada a fim de conhecer novos lugares, principalmente os pontos turísticos brasileiros. O resultado desta combinação tinha de ser um só: ele aproveita seus períodos de férias do serviço para unir o útil ao agradável e fazer o que mais gosta na vida: viajar ao comando de uma máquina de duas rodas.

Para ele, o prazer de curtir a vida é mais importante do que preocupar-se com a potência de uma moto. “Isso nunca foi um fator limitante para mim”, considera Leandro. Suas “aventuras”, que se iniciaram em 1996, são a maior prova disso.

Neste ano, ele era dono de uma 150 cilindradas. “Logo que a comprei já fui até Porto Seguro, na Bahia, em um percurso de cerca de 1400 quilômetros”, conta. Com a mesma “motinha”, Leandro encarou, ainda, viagens até o litoral paulista, à Capital do Estado, Minas Gerais e Espírito Santo.

Dois anos depois, já com uma 200 cilindradas, Leandro foi mais longe. Dirigiu-se até Salvador e, da Capital baiana, atravessou o Estado pela Chapada Diamantina em direção ao município de Oliveira dos Brejinhos para visitar uma tia. No total, ele calcula ter andado, entre ida e volta, cerca de 7 mil quilômetros em 130 horas de viagem. Em 1999, Leandro refez o mesmo percurso.

No ano seguinte, Itabuna, na Bahia, foi o destino escolhido por Leandro para passar suas férias. Entretanto, teve de chegar até lá obrigatoriamente com uma moto diferente. “Fui com uma 350 cilindradas, pois a 200 me roubaram”, recorda o bauruense. Já em 2001, com a mesma motocicleta, o bauruense “esticou” até Juazeiro do Norte, no Ceará, a terra do famoso Padre Cíçero.

No ano seguinte, Leandro pôs fim ao ciclo das “motinhas”, mas o espírito aventureiro permaneceu. Adquiriu uma potente 750 cilindradas e, com ela, foi até Aracaju, em Sergipe. Já em 2003, repetiu o destino, mas desta vez resolveu ir de ônibus. “É gostoso, mas cansa ir de moto”, justifica.

Apesar disso, Leandro já tem planos para 2004. “A meta é a mais ambiciosa de todas”, conforme o bauruense. “Quero ir de moto até Recife e voltar por dentro de Pernambuco”, revela.

Sufocos e cuidados

Com tantas viagens no “currículo”, Leandro não se recorda apenas dos bons momentos. “Passei alguns sufocos”, confessa. Os maiores ocorreram em sua “estréia” na estrada com a 150 cilindradas. Além de ter sido multado na ida e na volta, quase teve a moto apreendida pela Polícia Rodoviária. “Tive de implorar para o guarda não fazer isso”, recorda.

No segundo dia da mesma viagem, cansado, com fome e dores em várias partes do corpo, Leandro estava, ainda, na metade do caminho. Como queria fazer o dia “render”, não pretendia parar tão cedo, mesmo “estressado” com os problemas físicos.

Na seqüência, “algo sobrenatural” ocorreu, segundo o bauruense. “Passei direto por um trevo e avistei uma senhora com uma criança. Parei-a para perguntar se estava no caminho certo e ela me respondeu que sim e que seguisse com Deus. Depois daquilo tudo melhorou para mim: as dores sumiram e a fome e o cansaço acabaram. Foi incrível”, lembra Leandro.

Coincidência ou não, os apuros da primeira “aventura” do bauruense parecem ter sido uma advertência de sua mãe, que foi contra o desejo do filho de viajar. “Saí escondido de casa e só fui ligar para ela no segundo dia. Ela já estava desesperada e, por isso, acho que sofri um castigo”, conta.

Apesar disso, Leandro garante tomar vários cuidados durante seus passeios turísticos. “Levo sempre mochilas com ferramentas e uma barraca de camping. Também procuro hospedar-me em locais onde já conheço e me alimentar adequadamente com um café da manhã reforçado e frutas típicas das regiões pelo caminho”, conclui.

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Perfil

Nome: Leandro Donato Ferreira Idade: 27 anos Cidade natal: São Paulo (SP) Hobby: Viajar de moto Lugar bonito: Todos os lugares turísticos que conheceu Cor preferida: Azul Time do coração: Corinthians

Quem você nunca levaria na garupa de sua motocicleta? “Acho que meu tio, que pesa uns 150 quilos. É brincadeira! Não deixaria de levar nenhuma pessoa.”

E para quem você faria questão de dar uma carona? “A namorada, a irmã e minha mãe.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “A falta de educação e de consciência de trânsito dos motoristas de automóveis.”

Que nota você daria aos condutores bauruenses? “Para a maioria, quatro. Não passa disso.”

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