Bairros

Microônibus podem ser alternativa

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

A partir de 2004, a frota coletivos de Bauru pode ganhar microônibus. A medida pode ser implantada em Bauru para tentar driblar a redução da quantidade de usuários do transporte público.

De acordo com José Antônio Jacomelli, presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), seriam colocados em circulação no máximo 20 carros de porte pequeno.

O objetivo é reduzir gastos em linhas ociosas, atraindo passageiros para os carros que transportam, em média, 30 pessoas. “Por ser um carro menor, tem custo menor”, afirma Jacomelli.

Confira a seguir trechos da entrevista concedida ao JC nos Bairros pelo presidente da Transurb.

JC nos Bairros - Na opinião do senhor, o que provocou a evasão de usuários do transporte coletivo em Bauru? José Antônio Jacomelli - Tivemos uma queda e 7,5% até o mês de setembro, em relação a 2002. A média nacional é de 7%. Com certeza, isso é uma tendência do País e reflete o empobrecimento da população. Isso preocupa bastante as empresas. É o futuro da atividade que está balançando.

JC - Que medidas podem ser tomadas para reverter a situação? Jacomelli - É possível reverter. Uma das idéias é colocar microônibus no sistema. Eu acho que ajudaria. Ele tem uma velocidade comercial maior. Por ser um carro menor, tem custo menor. E, como ele transporta de 30 a 35 pessoas, o desconforto não é tão grande. O transporte coletivo está relacionado a desconforto porque é um transporte em massa. Os micros hoje oferecem mais conforto.

JC - As linhas e a tarifa seriam mantidas? Jacomelli - A próxima mudança do sistema de transporte coletivo de Bauru será através da integração. Até o dia 30 de maio nós vamos integrar o sistema de Bauru. Isso muda um pouco as linhas porque precisamos racionalizar o sistema. Os micros ocupariam um espaço de ociosidade. Com menos investimento, a tendência da tarifa não é subir tanto. A população não suporta pagar mais que isso e nós já estamos com a tarifa mais baixa do Estado de São Paulo. Uma série de fatores em Bauru terá de ser revista.

JC - Os microônibus solucionariam o problema da demora? Jacomelli - Se um coletivo comum demora 30 minutos para chegar ao Centro, o micro faz em 20 minutos. Dez minutos a menos dentro do ônibus é um alívio para os usuários. O investimento dele é menor. São coisas que vão segurando a tarifa para ela não explodir. Nós precisamos de tarifa, mas precisamos de passageiros.

JC - Em que linhas entrariam os microônibus? Jacomelli - Por exemplo, se uma linha tem quatro carros grandes e está ociosa, você tira um grande e coloca um pequeno. Ele gasta menos combustível; o custo operacional é menor.

JC - No microônibus há cobrador? Jacomelli - Motorista sim, cobrador não. Com a bilhetagem automática, não haveria cobrador. A idéia, que ainda está sendo discutida, é que os micros sejam implantados quando houver a integração. Ainda estamos conversando. Estamos procurando alternativas para fortalecer o sistema.

JC - E o problema do desemprego? Jacomelli - Se você fala que não tem cobrador, as pessoas acham que vai gerar desemprego. Será que por causa de alguns desempregos a população toda tem de pagar mais caro? É isso que deve ser balanceado. A gente já vem fazendo uma escolinha de motoristas para cobradores. Eles estão treinando para tentar amenizar esse impacto. São coisas que podem ser resolvidas.

JC - A idéia é baseada em iniciativa de outro município? Jacomelli - Em Araçatuba, já tem microônibus sem cobrador. Isso existe em muitas cidades do País. Nós aqui é que não avançamos muito.

JC - Quantos microônibus entrariam em circulação no transporte público de Bauru? Jacomelli - Eu acho que, no máximo, 20 carros. O sistema tem necessidade, mas não é grande coisa não. Representaria cerca de 11% da frota de coletivos em Bauru.

JC - Isso é suficiente para solucionar o problema da evasão de passageiros? Jacomelli - Não. A saída de passageiros decorre do empobrecimento da população. Outra coisa que ocorre é que a empresa que vai empregar alguém prefere pessoas que moram perto do emprego para evitar o custo do vale-transporte.

JC - Qual seria a solução, então? Jacomelli - Com a integração, acho que vai dar uma amenizada. Nós temos grandes esperanças na integração. Em todos os lugares em que ela foi implantada, cresceu o número de passageiros.

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Integração

A administração municipal de Bauru garante que a implantação do passe-integração trará benefícios aos usuários do sistema de transporte coletivo.

A idéia é racionalizar o sistema e permitir que os passageiros possam ir de um local da cidade a qualquer outro pagando apenas uma tarifa. O controle seria feito através de bilhetagem eletrônica.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e as empresas, em comum acordo, decidiram antecipar de 30 de setembro para 31 de maio de 2004 o prazo limite para que o passe-integração entre em vigor no Município.

A Prefeitura de Bauru não arcará com gastos para implantação do sistema. Os valores, estimados em R$ 4 milhões, serão pagos integralmente pelas empresas operadoras. A taxa de gerenciamento paga à Emdurb cairá de 3% para 1% já que ela não será mais responsável pela confecção e comercialização dos passes.

A gestão do sistema, como definição de itinerários e fiscalização, continua sob responsabilidade da Emdurb.

As expectativas são positivas já que em outras cidades em que o sistema foi implantado os resultados foram satisfatórios - houve atração para o transporte coletivo.

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