Tribuna do Leitor

O negro na política


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Entendemos a política, um dos cinco campos de estudos e discurso da filosofia (além da lógica, metafísica, estética e ética), como todo jogo de influências dentro das relações humanas e do domínio do poder. A esse respeito, disse alguém: “A desgraça dos que não se interessam é serem governados pelos que se interessam”. Infelizmente, a população negra está muito ausente dessas discussões.

Tendo em vista que o calendário eleitoral brasileiro exige para os candidatos a cargos eletivos filiação partidária com antecedência mínima de um ano, e os últimos dias se constituíram na largada para as eleições municipais 2004, acreditamos que a ocasião é propícia à discussão da fraca participação do negro na história política de nossa cidade. Já no ano de 2000, a Universidade de São Paulo (câmpus SP), preocupada com a baixa participação do negro na política, buscou pela sua comissão permanente de políticas públicas para a população negra, discutir esse e outros temas através do curso de extensão universitária “Racismo e População Negra no Brasil hoje”.

Como se observa, o assunto é pertinente tendo em vista que a realidade local acompanha a nacional, ou seja, aqui como no restante do País, o negro e seus descendentes constituem em torno de 50% da população, influem decisivamente nos costumes, religiosidade, hábitos alimentares e artísticos, mas por seu descaso pela política partidária, pouco ou nada influem no processo eleitoral, ficando conseqüentemente excluídos de cargos politicamente significativos, sem poder decisório em políticas públicas que lhe dizem respeito (e influenciam diretamente sua existência) e à margem de importantes decisões. Nesse sentido, a história de Bauru mostra que ainda não tivemos nenhum prefeito ou vereador negro. Em outros cargos ou funções públicas de decisão, a realidade é a mesma - quase totalmente ausente.

Acreditamos que a política é o melhor caminho de reivindicações específicas contra o poder constituído, a violência institucionalizada, a discriminação e as políticas de exclusão. Partindo desse pressuposto, podemos afirmar também que a participação efetiva do negro na política poderá contribuir na construção de uma sociedade mais justa, solidária e participativa.

Tito Pereira - CRO/DF-546

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