Marli Ranieri, esposa do prefeito Dudu, pede à população que tenha paciência e confie na capacidade do marido de resolver os problemas da cidade. A primeira-dama pede que o marido seja ponderado e aconselha que evite a espontaneidade nas falas da vida pública.
Em entrevista, Marli Ranieri fala da mudança de rotina da família com a posse de Dudu no comando da cidade desde a madrugada do dia 20 de setembro, quando toda a família se dirigiu às pressas até à Câmara Municipal para o juramento oficial de recebimento do cargo.
A primeira-dama mostra certa apreensão em relação à exposição que permeia a vida pública e garante que o marido tem jogo de cintura para enfrentar os dissabores e os obstáculos do governo. Leia a entrevista:
Jornal da Cidade - Como será ativado o Fundo Municipal de Solidariedade? Marli Ranieri - O prefeito tem que fazer um decreto me nomeando como presidente do Fundo de Solidariedade. Esse decreto terá que ser encaminhado à Câmara e posteriormente ao governo do Estado através de seu próprio fundo, presidido pela primeira-dama Maria Lúcia Alckmin. Depois, vamos constituir um conselho e depois iniciar as gestões para o recebimento de recursos e implantação de projetos.
JC - Bauru é o único município que não tem o fundo? Marli - O que a primeira-dama questionava era porque uma cidade do porte de Bauru, com mais de 300 mil habitantes, não possuía o fundo implantado. Temos a lei desde 1991, mas o fundo nunca foi ativado. A falta de ativação impedia a realização dos programas relacionados ao fundo e Bauru é uma das únicas cidades que não conta com o fundo em atividade.
JC - Que atividades podem ser realizadas com o fundo? Marli - São várias atividades. A ênfase que o Estado está dando é para as padarias artesanais e as casas de brinquedo. Estivemos em Dois Córregos em uma reunião onde a primeira-dama do Estado veio verificar como estão sendo realizados os programas. Nesta reunião todos os trabalhos foram apresentados por 20 municípios da região de Botucatu, Jaú e três cidades de nossa região. As esposas dos prefeitos, presidentes de fundo, expuseram seus trabalhos e levaram pessoas para prestar depoimentos sobre os programas em andamento. O objetivo do fundo é a geração de renda. O projeto das padarias artesanais funciona com um kit em Bauru sob a coordenação do Centrinho e outro em uma entidade. A brinquedoteca também já existia e tem alguns hospitais que também trabalham com esse setor. Existem projetos em desenvolvimento. Queremos ampliar porque são ações importantes na área social.
JC - A primeira-dama do Município tem afinidade com este setor? Marli - Eu sempre gostei da área social, mas nunca me envolvi. A partir do momento em que o Dudu assumiu a prefeitura eu fiz questão de frisar que seria atuante ao seu lado. Jamais seria uma esposa de prefeito alheia aos problemas sociais da cidade. Então, logo que assumi procurei saber onde era possível ajudar e, há a possibilidade através do fundo, e vou atuar.
JC - Que impressão a senhora tem sobre o papel da primeira-dama? Marli - Acho que a primeira-dama pode desenvolver um trabalho social desde que tenha afinidade, que goste. Ninguém é obrigado a se envolver, nem de gostar de uma determinada área. Nem todas as primeiras-damas de governadores dos últimos anos se envolveram com o setor. Eu sabia que no governo Franco Montoro havia essa interação. Na gestão do Quércia isso não foi possível porque a primeira-dama era médica e exercia atividade intensa nesse setor. No governo Mário Covas, a senhora Lila foi muito atuante. E a dona Maria Lúcia Alckmin nos passou essa necessidade de intensificar as ações. A atual primeira-dama é uma grande incentivadora e acho que os municípios estão trabalhando bem nessa área por causa do incentivo que a esposa do governador exerce.
JC - A senhora já teve a experiência de receber pessoas à porta de sua casa fazendo pedidos diversos? Marli - Ainda não tive essa experiência. Acho que o governo ainda é muito recente. Ainda não tive essa invasão que pode ocorrer em função do governo.
JC - Como a senhora vai encarar essa situação? Marli - É comum esse acontecimento porque todo prefeito enfrenta diversos problemas e carências e o povo acha que tudo é possível de ser resolvido. Mas não são só pessoas da comunidade que recorrem ao prefeito tentando resolver seus problemas. O prefeito também é assediado por indicações. Veja, naquilo que for justo e possível, vamos tentar ajudar.
JC - O que a senhora espera do prefeito Dudu Ranieri? Marli - Que ele corresponda à população de Bauru, que está confiante, que está depositando uma fé muito grande em sua curta administração. Espero que ele tenha muita saúde, disposição e força de vontade para vencer todos os problemas que estão sendo expostos agora.
JC - A população costuma ser imediatista nas cobranças. Como a senhora assimila essa cultura? Marli - O Dudu tem sido muito firme em suas entrevistas, dizendo que vai procurar resolver todos os problemas, mas enfatiza que a população vai ter que ter um pouco de paciência. Temos muitos problemas na administração e apenas um ano de governo para resolver. A população tem que estar consciente disso, confiar no prefeito e aguardar, ter um pouco de paciência para que ele possa resolver uma coisa após a outra.
JC - O dia-a-dia da família já sofreu alteração com a posse do Dudu? Marli - Mudou em parte, porque a gente já não tem o Dudu presente em casa como a gente tinha. Os filhos sentem mais essa ausência. Apesar de que nos momentos em que ele tem possibilidade de estar junto, ele conversa, discute os problemas da família, os negócios, e desempenha seu papel. Mas é lógico que a família sente a redução no tempo disponível para o convívio. Estamos acomodando a situação, mas o Dudu sempre deixou muita responsabilidade a cargo dos filhos e isso fez com que eles amadurecessem rapidamente. E os filhos têm muita responsabilidade com os negócios. Eles estão conseguindo lidar com a situação porque o Dudu já transferia essa responsabilidade.
JC - A senhora vai desempenhar o papel de crítica em relação às ações do prefeito? Marli - Olha eu não sei se vou corresponder a essa expectativa. Eu estou me esforçando para acompanhar de perto o governo.
JC - A senhora se surpreendeu com o interesse de uma das filhas, a Chiara, pela vida pública? Marli - A gente não esperava o retorno rápido em relação à Chiara. Ela trabalhou com tempo reduzido quando se candidatou à vereadora no ano 2000. Ela já estava envolvida com as atividades das escolas da família e seu tempo foi curto na eleição. Mas ela foi muito bem votada, ficando como segunda suplente. Ela é carismática e quem conhece gosta muito dela. Mas, de imediato, ela não tem pretensão de continuar na vida pública porque está ainda mais envolvida com a direção da escola junto com o Neto (outro filho). O envolvimento com a política é natural na família. O pai do Dudu foi vice-prefeito do doutor Nuno de Assis, chegou a assumir a prefeitura e gostava da vida pública. O Dudu herdou isso do pai.
JC - Como a esposa do prefeito vai reagir diante de críticas próprias do ambiente político e das cobranças públicas? Marli - Não será possível agradar a todos. Todos os governos são assim, convivem com críticas e realizações. A crítica pode ser natural e até construtiva. Vamos conviver com isso.
JC - Como a senhora vê o perfil do prefeito, sua espontaneidade em falar, por exemplo? Marli - Acho que às vezes ele peca pela espontaneidade. O fato dele falar tudo o que vem à cabeça, não esconder nada, pode não ser bem assimilado pelos outros, ainda mais na vida pública. Mas é sua característica pessoal de ser aberto. Como prefeito ele poderia tentar administrar mais essa espontaneidade para não se prejudicar até por isso, às vezes.
JC - Preocupa o fato dos últimos prefeitos terem enfrentado problemas que nasceram de erro ou omissão de assessores, dos escolhidos? Marli - Acho que isso preocupa todos, até o prefeito. O prefeito escolhe seus assessores, seu secretariado, e confia. Agora, durante a administração surpresas podem acontecer. Acho que a lealdade é indispensável porque o prefeito deposita confiança em quem escolheu.
JC - O que a senhora espera do prefeito durante o mandato? Há algo que a senhora quer passar para a população sobre essa fase? Marli - Para o prefeito que ele continue sendo ponderado do jeito que ele tem sido e que faça o melhor que puder pela cidade. Para a população, que confie no prefeito, que tenha paciência, que acredite que ele tem muito jogo de cintura para resolver os problemas, muita vontade e o que ele puder fazer ele vai fazer nesses 14 meses de governo.