A maioria das pessoas sabe que impostos, encargos sociais, inflação e recessão fazem com que os salários cheguem cada vez menores no bolso do trabalhador. Entretanto, o que se desconhece é como equilibrar o orçamento dentro das suas limitações.
Na última segunda-feira, o economista e professor Reinaldo Cafeo abordou o tema durante evento realizado no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Centrinho, por meio da palestra ‘Orçamento Familiar: causas do desequilíbrio, como reequilibrar’, quando destacou aspectos importantes para o equilíbrio orçamentário familiar, abordou as causas do achatamento da renda e as possíveis alternativas para incrementá-la e auxiliou as pessoas a pensar em planejamento orçamentário familiar.
Para o economista, o valor de um salário justo deveria ser calculado pela capacidade pessoal, responsabilidade da função e aperfeiçoamento do trabalhador.
Entretanto, as empresas ainda não adotaram estas políticas como regras e por este motivo é preciso que o funcionário aprenda administrar seu orçamento, enquanto trabalha para ampliar sua renda.
Cafeo aponta que esse processo só é iniciado com a busca do aperfeiçoamento profissional e de uma maior exposição.
“Eu chamo isso de sair da corrida de ratos. Nós ainda somos muito conservadores com a segurança do trabalho e não arriscamos muito em abrir flancos e buscar mais espaços, isso ainda depende de uma mudança de comportamento. Então, uma forma de ampliar a renda é controlar os gastos, diminuir os impulsos e a sede pelo status”, comenta o economista.
Nesse sentido, é preciso analisar cada investimento e equacionar os fatores necessidade e disponibilidade. Não adianta querer bancar um carro extra, tevê a cabo, noitadas, comida fora de casa ou a escola particular se o dinheiro não dá.
Recuperar
O primeiro passo para o equilíbrio das finanças segundo Reinaldo Cafeo é cortar os gastos supérfluos, dominar o uso do cartão de crédito e fugir dos cheques pré-datados e crediários.
Abrir o jogo com a família também é a melhor estratégia. “Não adianta você trabalhar feito louco, ter mais de um emprego, sem controlar que fica em casa. É preciso abrir o jogo de quanto se ganha e quanto se gasta e resolver juntos quais as torneiras serão fechadas. Isso é fundamental, todos têm que assumir o ônus da busca ou dos gastos dos recursos. Ã medida em que você democratiza, as coisas ficam mais fáceis.”
Cafeo adverte que quem ganha R$ 1 mil não pode gastar R$ 1.200. Aliás, o ideal seria que destes R$ 1 mil fossem economizados 20%. Numa proporção adequada 63% do salário pode ser consumido e 27% deve ser poupado ou investido, exemplo na compra de uma casa própria.
“É preciso esforço para reverter estes limites. Mas com o orçamento equilibrado, todo mundo ganha qualidade de vida.”
Outra tendência apontada na busca do equilíbrio do orçamento é a procura por rendas alternativas com atividades desenvolvidas no período extra-jornada.
O economista revela que a situação não é ideal. “O ideal seria conseguirmos nos manter e economizar dentro do nosso trabalho e com direito a período de descanso.”
Na impossibilidade, as pessoas devem sim buscar atividades fora de sua fonte principal de renda. Os setores acadêmicos, de eventos e novos negócios estão aí para comprovar a tese e a sociedade moderna já assimilou essa prática.
“Mas é válido lembrar que a busca pelo dinheiro não deve isolar uma pessoa. Ela deve fazer do dinheiro um meio e não um fim. Ela não pode, por exemplo, perder os amigos por conta disso.”
A palestra de Cafeo fez parte da programação da a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat Integrada 2003) do Centrinho.