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Crescimento econômico


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A crise de confiança que se abateu sobre a economia brasileira na segunda metade do ano passado, em função da liderança de Lula nas pesquisas eleitorais, está terminada. Nesta última semana, o risco-país, indicador principal da confiança dos mercados internacionais em um país, chegou a seu ponto mais baixo nos últimos cinco anos.

Os papéis brasileiros negociados no Exterior estão pagando um prêmio de risco sobre os títulos do tesouro americano de prazos equivalentes de 6% ao ano. No auge da histeria financeira que nos atingiu em 2003, este mesmo indicador chegou a mais de 24% ao ano.

O menor risco-país dos últimos anos ocorreu em 1997, pouco antes da crise financeira da Ásia neste mesmo ano. O risco político dos países asiáticos já voltou aos níveis de 1997, encerrando um ciclo de desajustes financeiros. O Brasil ainda tem hoje, apesar da extraordinária melhora dos últimos meses, um risco político duas vezes maior do que o daquele período.

Temos, portanto, ainda um longo caminho a percorrer. Talvez em meados do próximo ano, se a política econômica atual do governo continuar, possamos ganhar mais 100 pontos, chegando talvez a 5% ao ano de prêmio de risco.

Outro resultado da falta de credibilidade do então candidato Lula e de seu partido foi a disparada do dólar nos mercados de câmbio. A moeda brasileira desvalorizou-se em poucos meses mais de 80%. O dólar mais caro provocou uma explosão dos índices de inflação, que chegaram a atingir mais de 24% ao ano.

O ministro Palocci liderou, a partir de sua posse no ministério da Fazenda, uma luta violenta para manter a credibilidade do real como moeda estável. O Banco Central elevou violentamente os juros, provocando um cavalo-de-pau na economia como bem disse o ministro José Dirceu em conversa fechada com alguns políticos petistas.

O desemprego aumentou de forma expressiva, batendo recordes históricos em regiões industrializadas como São Paulo. Como conseqüência do aumento da inflação e da recessão econômica, os salários dos trabalhadores brasileiros caíram mais de 25% em termos reais. Como resultado desse brutal empobrecimento dos brasileiros, o consumo despencou nos setores chamados de bens de salário como o de alimentos e remédios.

Vamos iniciar o ano de 2004 com a inflação de volta a níveis civilizados, da ordem de 6% ao ano. Com isso, o Banco Central pode retirar o torniquete de juros que estrangula a economia e permitir a volta do tão esperado crescimento econômico.

Este será o grande desafio do governo Lula em seu segundo ano de mandato. Os sacrifícios de expressiva parcela da sociedade brasileira, nos últimos meses, foram debitados a uma tal de herança maldita deixada por FHC. As últimas pesquisas de opinião pública nos mostram que o governo conseguiu vender essa idéia à maioria dos brasileiros. Mas, no próximo ano, essa desculpa não mais poderá ser usada!

O autor, Luiz Carlos Mendonça de Barros, é economista e publicador do site e da revista Primeira Leitura.

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