Durante toda a minha vida, combati - com veemência - todo e qualquer tipo de utilização de dinheiro público em benefício próprio. Aprendi desde criança, que todos aqueles que exercem cargos públicos devem ter responsabilidade no trato com o dinheiro público.
Por essa razão, em todos os cargos que ocupei nunca abri mão de lutar contra a corrupção. E sempre que me deparei com alguma irregularidade praticada seja por secretário, fiscal, policial, agente penitenciário ou qualquer outro servidor - tomei todas as medidas para que os casos fossem apurados e os culpados, punidos.
Em 2003, depois da vitória nas urnas da governadora Rosinha Garotinho, no primeiro turno, quando estourou o escândalo de fiscais estaduais que abusaram, de forma criminosa, das prerrogativas de fiscalização para extorquir empresários do Estado, meus inimigos tentaram - mais uma vez - envolver o meu nome e de minha família no caso.
De novo, não obtiveram sucesso. Os fiscais estaduais foram afastados do governo e estão até hoje na cadeia - sem direito a habeas corpus. Eu e minha família? Saímos desse episódio como entramos: limpos.
No caso do Brasil, também poderíamos citar uma extensa lista de casos de corrupção em diversos Estados e, inclusive, na capital federal. Vejam o caso que veio à tona agora da Receita Federal. Segundo a Polícia Federal e a Justiça Federal, as fraudes nessa até então respeitada instituição podem chegar a R$ 1 bilhão - valor dez vezes maior do que teria sido extorquido, desde 1989, pelos fiscais do Estado do Rio de Janeiro.
Além das cifras, há outras diferenças entre os dois casos que acredito serem importantes que a opinião pública tome conhecimento. Boa parte dos envolvidos no escândalo da Receita Federal - que, segundo a imprensa, atinge “altos escalões” - se encontra livre - uns graças a habeas corpus e outros, acredito, devido à necessidade de investigações aprofundadas.
O que me causa estranheza é que no caso dos fiscais estaduais tentaram envolver meu nome, dizendo que eu havia escolhido fiscais corruptos para a Secretaria de Fazenda. E no caso federal? Quem são os políticos que indicaram os envolvidos para os cargos que estavam ocupando antes de o escândalo vir à tona? Não, não estou dizendo que esses políticos compactuaram ou mesmo tenham tido qualquer participação nessa fraude milionária.
Mas, por que, no caso do escândalo dos fiscais estaduais, tentaram envolver a mim e a minha família, sem qualquer prova ou direito à defesa? Por que esse tratamento diferenciado? Será preconceito, por minha família vir do Interior e não pertencer à chamada “elite” brasileira? Será que é por que sempre procurei agir - na minha vida pública - em defesa dos excluídos. Será que é por que sempre defendi um País soberano e mais justo? Ou será por que, na campanha presidencial, fui o único a denunciar o lucro exorbitante dos bancos?
Não sei. Façam vocês, leitores, o julgamento. Mas seja qual for ele, saibam de uma coisa: educação se aprende na escola, aperfeiçoamento se adquire com treinamento e sabedoria, vem com o tempo. Mas e o caráter? Ah, o caráter a gente tem ou não tem.
O autor, Anthony Garotinho, é secretário estadual de Segurança Pública do RJ.