Os ponteiros do único relógio pregado na parede do gabinete da Prefeitura de Bauru marcavam 19h40 quando o prefeito Nilson Costa (PTB) assinou, ontem, a ata que formalizou sua recondução no comando da administração municipal. Sem formalidades, a cerimônia marcou pela quarta vez, nos últimos cinco anos, o retorno do petebista ao Palácio da Cerejeiras. O feito já é considerado um recorde por analistas.
Nilson pisou pela primeira vez na prefeitura no dia 27 de agosto de 1998, após a cassação de Antonio Izzo Filho. No final daquele mesmo ano, foi destituído por força de liminar favorável a Izzo. Retorna no início de 1999. É reeleito prefeito na eleição de outubro de 2000. Cassado na madrugada do último dia 20, foi reempossado ontem.
“Acho que de fato deve ser mesmo um recorde”, gaba-se Nilson, visivelmente emocionado ao sentar na cadeira que o acomodou nos últimos cinco anos. A cena - um replay do cotidiano do cenário político municipal - foi acompanhada por simpatizantes, ex-assessores e ex-secretários do prefeito, que tomaram cada metro quadrado de um gabinete que ficou pequeno para acomodar dezenas de pessoas.
Cumprido o simbolismo da posse, o próximo quadro da cena de um filme que já é conhecido não apresenta nada de novo: bateria de rojões estoura do lado de fora do Palácio das Cerejeiras. Os menos acostumados com o oba-oba se assustam a ponto de imaginarem um atentado protagonizado por opositores.
Mas retomam a compostura e respiram aliviados, disfarçadamente, após perceberem que o foguetório foi provocado pelo lado amigo.
Desajeitado, o prefeito atende a telefonemas e recebe abraços. Pousa para fotógrafos e cinegrafistas. É obrigado a ouvir cochichos, a aguentar tapinhas e tapões nas costas. A copeira do gabinete traz água para aliviar suas cordas vocais.
Mas Nilson nega-se a fazer discurso. Depois de 30 minutos, deixa o Palácio das Cerejeiras acompanhado por uma caravana de pessoas que mais lembra uma romaria. E avisa aos mais próximos: “Amanhã (hoje) chegarei cedo para trabalhar.”
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