Economia & Negócios

Mudança em financiamento traz perdas ao setor imobiliário

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O mercado imobiliário de Bauru vai amargar perdas até o final do ano com a suspensão de financiamentos para a casa própria com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O orçamento previsto para essa linha no Escritório de Negócios (EN) da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru era de cerca de R$ 37 milhões neste ano para imóveis novos e usados, valor que já teria se esgotado.

O financiamento para imóveis usados, responsável por entre 50% e 60% da carteira, também foi restrito. Os recursos do fundo só podem cobrir até 50% do teto do financiamento - antes, esse índice era de 80% do valor total. As linhas devem voltar às regras antigas em janeiro de 2004.

Se para a Caixa as medidas de contenção são necessárias devido à procura acima das expectativas para 2003, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP) estima que as mudanças afetam 6 milhões de compradores em potencial e torna “impossível” à população de baixa renda peencher os requisitos necessários para o financiamento.

O delegado regional do Creci de Bauru, Giasone Albuquerque Cândia, afirma que o mercado imobiliário de Bauru - cidade que ele considera de poder aquisitivo limitado - vai sentir a contenção dos recursos até o final do ano. Segundo ele, o mercado já estava passando por dificuldades na cidade. “Não tenha dúvida que traz prejuízo para a gente”, diz. E completa: “Agora fica uma situação difícil.”

Cândia cita o caso de um cliente que, com os papéis em ordem para aderir ao financiamento pelo FGTS, chegou a ocupar um imóvel e foi pego de surpresa pelas mudanças. O comprador iria entrar com R$ 2 mil próprios mais R$ 21 mil provenientes do FGTS. Agora, diz Cândia, ele vai ter de pagar aluguel do imóvel até a regularização da linha.

Segundo o presidente da Associação dos Administadores e Credores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva, as linhas de financiamento com o FGTS são responsáveis pela movimentação de cerca de 10% do mercado imobiliário da cidade. O financiamento para imóveis novos, suspenso, e o para usados, modificado, são os mais populares.

Para ele, o setor - que já funcionava em compasso lento durante o ano - vai sentir ainda mais dificuldades até a prometida retomada das linhas em 2004. “O dinheiro do FGTS é um extra que entra no mercado, é sempre bem vindo”, afirma.

Cândia, do Creci, também afirma que, mais do que a contenção de recursos pela Caixa, a situação de instabilidade política da cidade prejudica o setor. “Essa situação política de Bauru, para nós, é péssima. São investimentos que deixam de vir, há toda aquela dúvida”, declara. E acrescenta: “Isso está prejudicando mais do que qualquer outra coisa.”

O gerente de mercado da Caixa Geraldo Luiz Machado de Oliveira afirma que o orçamento neste ano só esgotou porque a procura foi maior do que em outros anos. “Tem ano que passa sem acabar o recurso”, diz. Segundo ele, em janeiro as linhas devem voltar ao normal, assim como ocorreu nos últimos três anos. A previsão do EN de Bauru é fechar o ano com 2.350 contratos assinados - até a semana passada, foram 1.841.

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