No mesmo dia em que é confirmado o oitavo caso de leishmaniose humana, a Secretaria Municipal da Saúde reforça o controle da doença em Bauru. Desde ontem, cinco duplas de agentes estão coletando amostras sangüíneas de cães na Vila Nova Esperança, onde o segundo caso da moléstia em humano foi identificado.
Até a semana passada, apenas dois agentes tinham a incumbência de percorrer a vizinhança da primeira pessoa infectada, na Vila Quaggio, para colher amostras de sangue de animais. Porém, não há garantias de que o reforço de pessoal seja capaz de conter a elevação no total de vítimas.
“A gente sempre soube que dois agentes eram insuficientes, mas não imaginamos que o caso ganharia essa proporção. Como o trabalho de visita às residências é lento, eles coletavam uma média de 14 amostras de sangue por dia”, explica o médico veterinário e chefe da Seção de Controle de Zooneses da SMS, José Rodrigues Gonçalves Neto.
De acordo com ele, além de coletar o sangue dos cães, os agentes ainda desenvolvem trabalho de conscientização sobre a doença junto aos moradores do bairro. Uma outra equipe ainda tem a atribuição de localizar supostos criadouros - como terrenos baldios e imóveis que ofereçam condições de reprodução do mosquito palha – a fim de requerer a limpeza da área.
“Como essa questão é burocrática e leva tempo, a educação da população é muito importante. É ela quem vai evitar as condições favoráveis para a proliferação da mosca”, ressalta o veterinário.
Na opinião dele, além da conscientização, o controle da leishmaniose seria mais eficaz se o número de agentes fosse ainda maior, se o Centro de Controle de Zooneses já estivesse reformado e recebendo cães errantes (abandonados) e se houvesse um sistema de captura de animais de rua.
Como a situação não é a ideal, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) encaminhou ao então prefeito Dudu Ranieri (PFL) uma proposta de controle efetivo da moléstia. A sugestão, enviada há cerca de dez dias, prevê a mobilização de outras secretarias municipais no combate à doença.
Propostas
Se a indicação fosse aceita, a Secretaria de Educação ficaria com a responsabilidade de conscientizar os alunos e providenciar a limpeza do prédio público; a Secretaria de Planejamento (Seplan) assumiria a incumbência de incrementar as multas e notificações de proprietários de terrenos baldios abandonados.
As Secretarias das Administrações Regionais e Obras intensificariam a limpeza dos terrenos nas regiões de risco. Caberia à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) um diagnóstico da coleta de lixo na região Oeste, onde os casos da leishmanionse foram constatados.
“Os médicos da rede pública e privada, além de veterinários, já foram alertados e orientados. Também propusemos ao gabinete uma campanha educativa”, enfatiza a diretora do Departamento de Saúde Coletiva, Maria Helena Abreu.
Segundo ela, as medidas sugeridas e adotadas até agora vão de encontro às diretrizes da Secretaria do Estado da Saúde e do Ministério da Saúde. Confirma a informação a diretora da Vigilância Epidemiológica da Diretoria Regional de Saúde (DIR-10) de Bauru, Márcia Simonetti.
Na opinião das duas e do veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, a eficácia das medidas aplicadas até agora ainda deve ser analisada.
“O controle da doença depende da agilidade e da qualidade das medidas implementadas. O controle só é eficaz se você trabalhar na velocidade que a doença pede. A ação tem de ser rápida”, conclui Simonetti.
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