Os alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru terão hoje a oportunidade de conhecer de perto o astronauta brasileiro Marcos César Pontes, que estará visitando a instituição a partir das 8h30 e ministrará uma palestra sobre a importância do aprendizado. Ele foi aluno da escola profissionalizante no final dos anos 70 e também irá rever ex-colegas e professores daquela época.
Pontes, que chegou a Bauru no final da tarde de ontem, afirma que o objetivo do encontro é passar aos estudantes um pouco da sua experiência de vida. “Falarei, basicamente, sobre o meu treinamento. Vou tentar transmitir para eles o que eu tenho feito e tentar dar um pouco de incentivo para a carreira de cada um deles”, revela.
O astronauta conta que pretende transformar a palestra em um bate-papo informal. “Dependendo do que eles quiserem, a gente vai conversando junto”, explica.
Ele também se mostra entusiasmado com a possibilidade de reeencontrar antigos colegas. “Vai ser uma boa oportunidade”, diz.
O coordenador de qualidade da instituição, Valdir Mateus, afirma que os alunos estão ansiosos pelo encontro com o astronauta. “A garotada está com a expectativa de conhecê-lo pessoalmente. Temos conhecimento de que a palestra dele é muito motivadora, no sentido de dizer para eles que não desistam dos seus sonhos, independente da posição social e econômica atual”, declara.
No período da tarde, Pontes segue para Lençóis Paulista, onde visitará o Senai daquela cidade.
Trabalho
Marcos Pontes cursou eletricidade e eletrônica no Senai. Em 1981, ingressou na Academia da Força Aérea e, atualmente, faz treinamento na Nasa, a agência espacial norte-americana. Segundo ele, o trabalho para se transformar no primeiro astronauta brasileiro a ir para o espaço tem sido árduo. “A gente tem tentado empurrar bastante o programa da Estação Espacial Internacional”, afirma.
Ele também acredita que o acidente ocorrido na base espacial de Alcântara (MA), em agosto, quando uma falha causou a explosão do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), matando 21 pessoas, não afetará o desenvolvimento espacial brasileiro.
Para Pontes, o acidente poderá servir para que o projeto espacial do País evolua. “Creio que o Brasil vai seguir o mesmo exemplo que tem sido dado pelos países com programas espaciais mais avançados e aproveitar um acidente, que é um fato ruim, para conseguir subir alguns degraus e ter sistemas mais seguros e metodologias melhores”, opina.