Um grupo de vereadores liderados por João Parreira (PSDB) e Toninho Garmes (PSDB) se posicionou contra a exoneração do advogado Henrique Crivelli Alvarez da Consultoria Jurídica da Câmara Municipal.
Eles argumentam que é “muito estranho” o presidente da Casa exonerar Crivelli neste momento, já que ele acompanhou o processo de cassação do prefeito Nilson Costa (PTB) de perto.
“O Crivelli teria uma missão: fazer o trabalho de contestação da recondução do prefeito ao cargo. Mudar o Crivelli agora é um negócio extremamente temeroso. Vai criar uma crise institucional na Câmara. A impressão que se tem é que haveria uma intenção escusa nessa alteração. Somos contra. A atuação de Crivelli na Câmara era intocável”, diz Parreira.
O tucano comenta ainda que o ex-consultor jurídico tinha a simpatia de 99% dos vereadores. “Talvez o único vereador que não estava se simpatizando com o Crivelli era o Purini.”
Garmes também criticou a exoneração. “Crivelli estava fazendo um ótimo trabalho na Câmara. Ele gozava da confiança dos vereadores. Nenhum parlamentar, até hoje, reclamou do seu trabalho. Pelo contrário, eu só ouvi elogios. Gostaria que o presidente da Câmara fosse transparente neste caso e explicasse detalhadamente os motivos, embora eu entenda que o cargo seja de confiança. Mas é preocupante esta substituição agora”, finaliza.
Recurso "veemente"
O presidente da Câmara Municipal de Bauru, vereador Renato Purini (PMDB), garantiu ontem que a Casa vai recorrer, no prazo previsto, contra a liminar que reconduziu Nilson Costa (PTB) ao cargo de prefeito. “Vamos recorrer com veemência. A Câmara Municipal vai contestar, doa a quem doer”, afirma.
O peemedebista diz que o Poder Legislativo é independente. “Não há nenhum interesse de beneficiar essa ou aquela pessoa. Nossos atos demonstram isso. A Consultoria Jurídica, com certeza, irá demonstrar lisura no processo.”
Purini não esconde que os ânimos na Câmara estão acirrados nos últimos dias. “Existem pessoas descontentes com a situação. Mas não será uma alteração na Consultoria Jurídica que irá mudar a situação. Pelo contrário, ela vai fazer o trabalho que tem que ser feito e a Mesa Diretora vai cobrar isso”, garante.
O novo consultor jurídico da Câmara, Conrado Segalla, explica que vai tomar conhecimento do conteúdo do processo assim que assumir a função. “Já neste final de semana vamos trabalhar na questão, com o intuito de apresentar o resultado mais rápido possível.”