Um rapaz de 21 anos foi morto ontem de manhã por um policial militar no Jardim Ivone, em Bauru. Depois de resistir à revista e iniciar luta corporal com um policial, ele foi alvejado quando tentava alcançar sua arma na cintura, segundo os policiais envolvidos na ocorrência relataram ao delegado-adjunto do 2º Distrito Policial, Carlos Creppe Júnior. Este é o quinto caso de resistência seguida de morte neste ano em Bauru.
Fabrício Marcelino, 21 anos, era morador da rua Baltazar Batista, na Vila São Paulo. Porém, nenhum parente dele foi encontrado pelo JC no local para comentar o fato. O rapaz, segundo o delegado, possuía diversas passagens criminais e havia sido liberado do Centro de Detenção Provisória (CDP) há cerca de 40 dias.
De acordo com o comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar (PM), capitão Wellington Luiz Venezian, o Centro de Operações da PM (Copom) recebeu a informação de que um rapaz estaria furtando telhas em uma residência no Jardim Ivone. Por volta de 10h, dois policiais militares chegaram ao local, na quadra 6 da rua Alfredo Gonçalves D’Abril, e encontraram Marcelino.
“Ao tentar abordá-lo para realizar a busca pessoal, o policial foi agredido quando estava se aproximando, e o rapaz tentou arrebatar a arma que estava no coldre”, relata Venezian. Ele comenta que o rapaz já estaria de costas, com os dedos entrelaçados atrás da cabeça quando teria se virado e tentado tirar a arma do policial.
O delegado Creppe confirma que o coldre foi rasgado por Marcelino. Depois disso, o rapaz e o policial iniciaram uma luta corporal, enquanto o outro soldado observava a ação que rapidamente se desenvolvia. “O rapaz tentou pegar sua arma, que estava na cintura, com o interesse de atirar no policial com quem ele lutava. O segundo policial, ao perceber a intenção, num reflexo rápido, efetuou dois disparos que atingiram o infrator”, afirma o comandante da 3.ª Cia.
Marcelino foi atingido no peito e no ombro. Encaminhado ao Pronto-Socorro Central, ele não resistiu aos ferimentos e morreu, ainda durante a manhã.
Segundo Creppe, ele portava um revólver Taurus, calibre 32, com a numeração raspada. A arma continha três balas já deflagradas. Devido a isto, foi requisitado exame residuográfico das mãos do rapaz, para verificar se ele foi o autor dos três disparos, que não foram efetuados no local da ocorrência, ontem de manhã, visto que ele não chegou a atirar.
Avaliação
A PM não divulgou os nomes dos policiais envolvidos na ação, alegando evitar ameaças ou colocar sua segurança em risco. De acordo com o major Pedro Batista Lamoso, sub-comandante do 4º Batalhão da PM, é norma da corporação que os policiais que participam de ocorrências de alto risco passem por uma avaliação psicológica. “O policial será afastado de suas atividades cotidianas e submetido a uma avaliação psicológica. Se o psicólogo entender que ele, emocionalmente, não está capacitado a exercer suas funções, passará por acompanhamento”, declara o capitão Venezian.
Creppe aponta que será aberto um inquérito para investigação da ocorrência. Além disso, ele requisitou laudos de perícia técnica, exame residuográfico ao Instituto Médico Legal (IML) e das armas. “O inquérito vai apurar se houve algum excesso ou irregularidade na ação dos policiais. Esta não foi uma morte que se desejava acontecer, os policiais agiram em contrapartida à reação da vítima fatal”, afirma o delegado.
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Versão da polícia
• Fabrício Marcelino foi avistado furtando telhas de uma residência no Jardim Ivone e a Polícia Militar foi acionada.
• Ao ser abordado por um dos policiais, aguardando para ser revistado, o rapaz iniciou luta corporal e tentou tomar a arma do coldre do policial.
• Enquanto lutavam, Marcelino tentou pegar a arma do policial presa na cintura. O segundo policial percebeu e atirou.