Celso Zinsly, gerente de futebol do Noroeste, na entrevista concedida ontem, nesta redação, disse que o Noroeste resgatou a credibilidade no cenário futebolístico do Interior e a auto-estima de sua sua torcida. Para o homem forte do Norusca, o clube se reorganizou.
Celso explicou os motivos da queda de rendimento do Noroeste na Copa Estado de São Paulo. O time sofreu duas derrotas seguidas e foi alijado da luta pela vaga nas quartas-de-final da competição. Celso explicou que na parceria feita com o Noroeste, o Internacional se comprometeu a pagar os salários dos oito jogadores emprestados e ainda dar uma cota financeira ao clube bauruense, por cada atleta.
“Esse projeto caminhava normalmente, no entanto, o Inter deixou de mandar o dinheirinho ao Noroeste, mas tudo bem. O pior é que não paga os oito jogadores há quase três meses. Os rapazes enfrentam dificuldades, naturalmente, um deles, do atraso na pensão alimentícia. Outro está ameaçado de despejo porque não paga o aluguel do apartamento. Com isso, o rendimento do time caiu. Foi o que aconteceu na Série A3 de 2002, quando o Noroeste era líder disparado, mas como os jogadores não recebiam salários, o time despencou na tabela”.
O gerente de futebol lembrou que mesmo com um grupo modesto, cuja média salarial é R$ 587,50, o Noroeste brigou pela classificação até a antepenúltima rodada, com clubes de estrutura, da A2 e até A1, como América, Araçatuba e Marília, entre outros. Segundo Celso Zinsly, a Copa Estado serviu como laboratório para a Série A3 do ano que vem, especialmente na revelação de novos valores.
“Guilherme, Danilo, Paraguai, Marcelinho, Borebi e Michel foram profissionalizados. É importante lembrar que o grupo de garotos tem a idade média de 18 anos e todos os atletas pertencem ao Noroeste. Uma situação bem diferente de muitos clubes do Interior. O América, por exemplo, está cheio de dívidas e todos os seus juvenis e juniores pertencem a Fescina, ex-técnico das categorias de base do América”.
Segundo Celso Zinsly, quando ele assumiu o cargo, só quatro jogadores pertenciam ao Norusca (Jorginho, Cris, Avaí e André Luís - esses dois últimos liberados meses depois), mas agora, os plantéis de amadores e profissionais, têm dezenas de jogadores.
Na Copa São Paulo Júnior, em janeiro deste ano, oito garotos foram emprestados pelo Corinthians. Atualmente a preparação para a Copa SP de 2004 já começou, e todos os atletas são do Alvirrubro.
“Revelamos valores, que nos pertencem. Nosso objetivo na atual Copa Estado de São Paulo foi alcançado”, diz Celso
A situação financeira do Noroeste é estável: paga o elenco e funcionários em dia, não deve nada na praça e liquidou em setembro a sua última ação trabalhista. A previsão para novembro já está feita. Não se gasta um centavo sequer sem a autorização de Damião Garcia.
A administração de Damião Garcia parte para outras conquistas. O poliesportivo será reativado, inclusive, a bomba para a piscina já foi comprada. Depois da Casa do Atleta, inaugurada em 1º de setembro, para juvenis e juniores, agora será construído, também no Estádio Alfredo de Castilho, o alojamento dos profissionais, para acomodar 56 pessoas.
A seguir, alguns trechos da entrevista:
Jornal da Cidade - Qual a maior dificuldade enfrentada no clube? Celso Zinsly - Eu tinha duas opções: fazer média com jogadores e os homens que dirigiam o Noroeste, antes de assumirmos, ou um saneamento geral. Preferi uma mudança radical. Dos 30 atletas que vinham defendendo o Noroeste, dispensei 29, ficando só com o goleiro Alexandre Ricci.
JC - Você dirige o futebol e administra o Noroeste por causa da amizade com o presidente Damião Garcia? Celso - Se fosse por amizade, estaríamos menosprezando um dos empresários do Brasil de maior visão. Esportista experiente e empresário dos melhores, Damião Garcia não faria isso de forma alguma.
JC - Alguns torcedores e até cronistas acham que o clube gasta sem necessidade com concentrações. Você concorda? Celso - Claro que não. O fato de o Noroeste se concentrar e não viajar nos dias dos jogos é um trabalho que resgata nossa credibilidade. Não é despesa e sim um investimento. E concordo com Cláudio Amantini: clube que não se concentra é de várzea.
JC - O que diz da torcida noroestina Celso - É maravilhosa, uma das melhores do Estado. Mas é evidente que de grosso modo, ela comparece quando o produto é bom. Mas temos que bater palmas para aqueles 300, 400 fiéis fãs do Norusca que vão ao campo em qualquer circunstância. No jogo contra o América, esses fiéis noroestinos quase brigaram, porque não concordaram com os gritos de ‘olé” e de ‘timinho, timinho...’ Nos dois últimos jogos em Bauru, contra Marília e América, conseguimos cerca de 500 novos sócios. Como afirmei, estamos resgatando a auto-estima do torcedor pelo nosso clube.