Bairros

Mutirão no HE atende 800 pacientes

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

O Hospital Estadual (HE) de Bauru realizará a partir de amanhã um mutirão para atender 800 pacientes que aguardam cirurgia de garganta, ouvido e nariz (otorrinolaringologia) há três anos. O contigente integra uma lista encaminhada pelo Ministério Público, que em julho de 2000 instaurou inquérito para averiguar as razões que resultaram nessa demanda reprimida.

A relação de nomes foi obtida pelo promotor de Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira, através de informações solicitadas às unidades de saúde – municipais e estaduais - que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Registramos cerca de cinco queixas nas áreas de oftalmologia, otorrinolaringologia e cirurgia geral, o que já é suficiente para demonstrar que havia algo de errado. Então, encaminhamos uma requisição às unidades de saúde pedindo informações e instauramos um inquérito para cada especialidade”, explica Oliveira.

De posse dos dados, o promotor agendou reuniões com representantes da Direção Regional de Saúde (DIR-10), da Associação Hospital de Bauru (AHB), da Secretaria Municipal da Saúde e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho).

“Cobrei logo uma solução, preferencialmente para as crianças, já que a infância é a área que me compete. Quando o HE foi instalado, fui procurá-los e parece que estão resolvendo o problema, mas ainda não recebemos informações oficiais. Já conseguirmos resolver o problema na área de oftalmologia”, explica o promotor.

Como a demanda de pacientes SUS com problemas oculares foi absorvida, há um ano o inquérito foi arquivado pelo MP, que continua aguardando solução para as cirurgias nas áreas de otorrinolaringologia e cirurgia geral.

Mutirão

Há um mês e meio, teve início a avaliação de parte das 200 pessoas que aguardavam consulta médica para agendar uma cirurgia de caráter geral. Desde então, cerca de 90 pacientes já passaram por consultas médicas, que também são realizadas por meio de mutirão, aos sábados.

O mesmo sistema de atendimento na área de otorrinolaringologia terá início a partir de amanhã, quando os 800 pacientes que aguardavam numa lista de espera há três anos começam a ser convocados. Foram agendadas 16 consultas para este sábado e outras oito para a próxima terça-feira. O atendimento será quinzenal.

Em princípio, serão chamadas as crianças cadastradas com problema de nariz (adenóide) e garanta (amígdala). A previsão do HE é que, depois dessa triagem, sejam realizadas oito cirurgias a cada sábado de mutirão.

“Como a lista é antiga, os pacientes terão de passar por uma nova avaliação para posterior indicação cirúrgica, se necessária. Para fazer o atendimento, tivemos que nos organizar e antecipar nosso cronograma de atendimento. A convocação das pessoas foi difícil porque alguns telefones estavam desatualizados. Outros pacientes não deixaram contato”, explica a assistente social da HE, Elaine Cristina Marchis.

Segundo ela, a relação daqueles que não deixaram telefone será novamente encaminhada ao MP, onde uma solução será rediscutida.

“Uma pequena parcela dos pacientes contatados já conseguiu tratamento por meios próprios (particular), mas o restante recebeu a notícia com alívio”, ressalta Marchis.

É o caso, por exemplo, de Silvia Aparecida Rodrigues, que há três anos tenta agendar uma operação para a filha, hoje com 5 anos.

“Eu já tinha perdido as esperanças. Há uns oito meses nos ligaram para confirmar o interesse. Depois disso, nunca mais. Minha filha tem problema com amígdalas grandes e adenóide e o médico já havia recomendado a cirurgia”, recorda.

Ela foi uma das convocadas para receber o atendimento nessa primeira etapa, que será iniciada amanhã. Rodrigues recebeu a notícia com alívio.

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Razões

As razões que redundaram numa demanda reprimida de pacientes na área de otorrinolaringologia não foram explicadas pela Promotoria da Infância e Juventude, pela Direção Regional de Saúde (DIR-10) e pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - responsável pelos hospitais de Base e Manoel de Abreu, além da Maternidade Santa Isabel.

O diretor da DIR-10, Affonso Viviani, não retornou a ligação à reportagem e o administrador da AHB, José Cardoso Neto, preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Porém, o coordenador do serviço de residência médica do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho), Arakem Fernando Carneiro, deu indícios de que o problema seria decorrente de falta de estrutura.

De acordo com ele, a lista de pacientes que aguardavam atendimento há três anos foi levantada pela equipe do Centrinho que, através de um convênio, atende casos cirúrgicos de nariz, garganta e ouvido, no Hospital de Base.

“O mutirão do HE foi sugestão nossa. O promotor pediu a relação de nomes. Se a AHB nos desse condições, nós mesmos poderíamos fazer as cirurgias”, explica Carneiro.

Segundo ele, o impedimento viria da falta de material e de salas de cirurgia.

“Quando assinamos o convênio para atender os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), a DIR-10 e a Secretaria Municipal de Saúde prometeram que pelo menos o material estaria garantido, mas nem isso foi cumprido. Nós é quem levamos nosso material para lá. Estamos fazendo das tripas o coração para manter o convênio e a atividade dos residentes”, enfatiza o médico.

Além dele, outros seis especialistas, cinco residentes e um coordenador científico do Centrinho prestam serviços na HB.

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