Economia & Negócios

BB suspende greve, mas CEF mantém

Ieda Rodrigues e Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os funcionários do Banco do Brasil (BB) de Bauru e região voltam ao trabalho hoje, mas os da Caixa Econômica Federal (CEF) decidiram manter a greve por tempo indeterminado, em assembléia realizada no início da noite de ontem.

A categoria reivindicava 21% de reajuste salarial, mas em uma votação apertada os trabalhadores do BB aceitaram a nova proposta da direção do banco: 12,6% de aumento para todas as faixas salariais, elevação da cesta básica de R$ 150,00 para R$ 200,00 e primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 40% do salário, mais R$ 325,00.

Marcos Silvestre, diretor do Sindicato dos Bancários, critica a proposta aceita pelos funcionários do BB. “O arrocho salarial continuará porque o reajuste de 12,6% não cobre sequer a inflação. A inflação medida pelo INPC, por exemplo, foi de 17,56%”, afirma.

O sindicalista ressalta que a votação que decidiu pôr fim à greve no BB em Bauru foi apertada e influenciada por outras bases, que aprovaram a volta ao trabalho. “Foram 95 votos pelo fim da greve e 90 pela continuidade. Nós lamentamos a postura das diretorias dos grandes sindicatos, que orientaram pela aceitação da proposta”, alfineta.

Ainda faz parte da proposta do BB aceita pelos bancários acabar com banco de horas em agências com até dez funcionários e a isonomia de alguns direitos dos trabalhadores. O Sindicato dos Bancários reivindicava o fim do banco de horas em todas as agências.

Já os funcionários da CEF, que não receberam nova proposta do banco, decidiram continuar a greve. A Caixa propôs reajuste de 12,6% aos funcionários, mas não atendeu reivindicações como cesta-alimentação. Hoje à tarde os trabalhadores da CEF vão fazer nova assembléia para decidir os rumos do movimento. Em Bauru, a greve nas duas instituições bancárias começou anteontem.

A adesão chegou a cerca de 90% dos funcionários das seis agências do BB e dos das quatro agências da CEF em Bauru ontem, segundo o sindicato. A direção do BB reconheceu o índice, mas a da CEF não informou a porcentagem dos funcionários que não trabalharam.

A maioria dos clientes e usuários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal ouvidos pelo JC não se sentiu prejudicada com a paralisação.

“Cada um tem que lutar com as armas que têm. Apesar de achar que greve não resolve, alguém precisa fazer algum barulho para mudar essa situação. Mesmo precisando do banco, consegui resolver meu problema com as máquinas. Em outras paralisações também não fui prejudicada”, garante Clarice Kemparsky, que passou ontem à tarde pela agência central da CEF.

“Deu para fazer o depósito. A agência (atendimento automático) não estava lotada, mas mesmo assim, não tenho opinião formada sobre a greve”, confessa Geni Aparecida Machado.

Já outros clientes, como Cláudia de Oliveira e Alcides Cavalcante Gonçalves, enxergam na paralisação um meio adequado para desamarrar impasses de natureza trabalhista.

“É o dever de todo mundo lutar para conseguir algo de melhor. Se não for assim, nenhum progresso é alcançado”, enfatiza Gonçalves, que também realizou operações bancárias com tranqüilidade no BB.

Porém, as opiniões não são unânimes. A paralisação das agências bancárias prejudicou especialmente os trabalhadores ambulantes e comerciantes instalados nas proximidades, conforme constatou o JC.

“O nosso movimento vem essencialmente do banco. Quando não funciona, perdemos cliente. Eu quero saber quem vai arcar com o prejuízo?”, questiona a secretária de um estabelecimento que trabalha com penhor, Viviane Alves Martins.

A trabalhadora ambulante Vanda Crecione Fukue, por exemplo, perde cerca de R$ 40,00 por dia de paralisação, devido à queda na circulação de clientes. “Tem gente que veio receber o PIS (Programa de Integração Social) e não conseguiu. Por isso, acho injusta a greve”, conclui.

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