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Centro de Controle de Zoonoses vai trazer de volta a "carrocinha"

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Canis coletivos e individuais, gaiolas para gatos, salas especiais para vacinação, necrópsia, identificação de larvas, armazenagem de venenos e insumos, vestiários e local para reuniões. Essa é a estutura que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru terá quando as obras de ampliação forem finalizadas. Uma das novidades do serviço pode ser o retorno da “carrocinha” para recolher animais errantes.

Segundo o chefe do CCZ, José Rodrigues Gonçalves Neto, a nova estrutura, que está sendo erguida ao lado do prédio atual, entrará em funcionamento até o final do ano. “A partir desse momento, a gente vai precisar de equipamentos para fazer isso funcionar. Já existe um projeto em Brasília para adquiri-los”, conta.

Ele revela que a previsão é colocar uma viatura nas ruas para recolher os cães e gatos errantes. “Quando se tem um trabalho sendo feito, a própria consciência das pessoas se desenvolve. Elas vão se dar conta de que agora tem carrocinha e não deixarão os animais na rua”, prevê.

Os cães e gatos que forem pegos serão, então, levados para o CCZ. “Você precisa dessa estrutura para que o animal que é retirado da rua não seja sacrificado imediatamente. Existe um prazo, previsto em lei, para que o suposto dono venha resgatá-lo”, explica.

As obras do centro estão orçadas em R$ 360 mil e foram possíveis graças a um convênio assinado no ano passado com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), responsável por 80% das verbas. “Pode se questionar que isso está sendo feito tardiamente, mas a gente está brigando há muito tempo”, justifica o chefe do CCZ.

Ele acredita que a contratação de novos funcionários para o órgão não será necessária. “A nossa grande dificuldade é a estrutura física, porque quadro funcional a gente tem. O nosso corpo técnico é bom, mas não temos onde trabalhar”, diz Gonçalves Neto.

Leishmaniose

A leishmaniose é transmitida pelo mosquito palha e pode ser contraída por cães e humanos, podendo causar até a morte. Para o médico infectologista Fernando Monti, o município deve investir no combate à proliferação de animais errantes para conter a doença. “Se você não tiver uma política de saúde pública em relação ao controle canino, é muito difícil controlar a doença de uma maneira mais global”, opina.

Ele afirma estar preocupado com a situação verificada em Bauru. “A impressão que eu tenho é de que nas vilas existe uma quantidade absurda de cachorros errantes”, diz.

O infectologista acredita que este fato pode trazer sérias conseqüênicas. “O fato de você não controlar a população canina submete a população humana a risco. A situação que está instalada hoje coloca em risco uma espécie animal, que é o homo sapiens”, declara.

A delegada da Sociedade de Proteção Ambiental Mountarat, Damair Pereira de Almeida, discorda. “O nosso principal problema não é o cachorro. É o mosquito, e ninguém fez nada ainda para eliminá-lo”, afirma.

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