Tribuna do Leitor

EM BUSCA DO AMOR PERDIDO...


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... é propício, mormente nas noites de inverno, pela nostalgia que tanto contribui em busca de quem possa substituir aquela que acalentava outrora, o coração ardente de amor, genuíno amor. Na sua imensa maioria, vão ao “encontro do desencontro”; obviamente que o princípio básico do amor está no universo das afinidades, o qual nasce, brota, cresce, floresce e se robustece, através desse universo amplo e que no sentido genérico da palavra é, e deve ser cultivado no dia-a-dia, completando-se no mais íntimo dos atos da criatura humana. “Caiçara”, boate freqüentada pela “nata” do “society” paulistano, lá se encontrava o dr. Maia, absorto em seus longínquos pensamentos, exteriorizando-os entre goles de vinho chileno da melhor qualidade e expelindo baforadas através do seu “havana”. O mesmo costumava freqüentar os mais requintados ambientes da noite bandeirante - encontrava-se em “busca” do amor perdido... perdido?

Funcionário público, servindo no 1.º escalão do governo estadual, com altíssimo ganho e com o mínimo de trabalho. Ao seu redor, não deparava com nenhuma pessoa do belo sexo que sintonizasse consigo - com seu amor perdido. Aos olhares do dr. Maia, nada chamava-lhe a atenção, a despeito da bela decoração da boate e da clientela; sequer se dava conta da linda e sugestiva canção: ... amor, amor, amor!..., executada pelos músicos que formavam um belo conjunto vocal, ali presente. Parecia provocação!!! Estou na pior... sinto-me “deprê”, retornando ao meu interior... Eis que repentinamente, surge elegante, escultural irradiando simpatia, aliada à sua beleza, olhos verdes e brilhantes, iluminando o ambiente. É ela, a minha princesa! Puro engano... era a Maria das Dores também funcionária pública estadual. O mesmo reviveu naquele momento, a sua ex-Maria, reportando-se ao passado-presente em seu coração-alma, num sucinto retrospecto do amor “perdido”, mas nunca, jamais esquecido. Ah! Quanta saudade que o tempo não apaga - era feliz e não me dava conta e agia com aspereza com a angelical “princesa” Maria.

A solidão se abateu sobre ele e nem o vinho, a música e o ambiente refinado deixava de sufocar o seu eterno amor! De súbito levantou-se e levado pela semelhança da recém chegada, com seu amor perdido, aproximou-se da mesma, buscando brindar o acontecido: com a devida licença da senhorinha... pois não, respondeu-lhe. Num curto espaço de tempo, estavam entrosados e brindando com champanha “Viúva Glicot”, aquele encontro de amores “perdidos” - porquanto Maria das Dores também estava no caminho da desilusão, aniquilando-se física, emocionalmente, e tendo se distanciado da tão sonhada felicidade que é vivenciada por momentos. Encontrava-se na mesma situação do dr. Maia!!! Quando se ama verdadeiramente, nunca se esquece “aquele amor” a que ambos estavam em busca desse bem maior. Perplexo pela coincidência, estava o dr. Maia, pois era o que procurava em tentativas infrutíferas em substituir aquela que fora a “única”! “Encontros e desencontros”, “amores e desamores” a que toda a criatura humana está sujeita - todos “aqui - ali - acolá”, vivenciamos no nosso quotidiano. Quantos Maia e Maria se encontram nessas circunstâncias refletindo as dores de tantos outros? (Arthur Monteiro de Carvalho Netto - jornalista, reg. sob n.º 24.444 - Min. Tb.)

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