Pesquisa realizada pelo Instituto Data-ITE aponta que cidades da região apresentaram índices de crescimento populacional negativos. Se continuarem nesse ritmo, elas poderão “morrer”, como aconteceu há anos com a cidade de Canastrão, na região de Lins. A taxa de crescimento populacional negativo foi constatada na cidade de Avaí, na década de 80 e 90; e em Gália e Lupércio até 2000. Mas vários municípios da região encontraram saídas para reverter o problema, como Lençóis Paulista e Piratininga.
Esta última perdeu parte da população na década de 80, mas reagiu e, de 1991 a 2000, conseguiu reverter a situação. A reação positiva também aconteceu em Duartina e Bocaina.
O índice apontado pela pesquisa reflete a falta de oportunidades para que a população jovem se fixe nos pequenos municípios e deixe de procurar grandes centros em busca de uma vida profissional mais próspera.
As cidades que não oferecem chances para a nova geração, estão fadadas a ter, a médio prazo, uma população formada só por idosos.
Mas até para fixar a população idosa em determinado município é preciso fazer investimentos, avisa o economista bauruense Reinaldo Cafeo, um dos coordenadores da pesquisa. “Os idosos procuram lazer. Um cinema, um teatro... Uma cidade pode ser tranqüila, mas se não tem mais nada para oferecer ao idoso, se torna desinteressante.”
Para atrair essa faixa da população, o município tem de fazer investimentos. “Os idosos que vivem nos grandes centros procuram qualidade de vida, mas já possuem hábitos arraigados, freqüentam um clube, vão assistir um filme ou uma peça de teatro. Então, a maioria deles opta por cidades de médio porte, que não são tão violentas como as metrópoles e ao mesmo tempo possuem atrativos”, explica Cafeo.
Os administradores precisam criar estratégias de atração. “Eu não vou morar numa cidade apenas porque ela é tranqüila. Se o município não tem grandes empresas, necessita ter um diferencial para chamar outro tipo de público. Os aposentados podem trazer dividendos.”
Para o economista, atrair idosos bem-sucedidos pode ser uma opção para as cidades de pequeno porte. “O que falta para essas cidades é uma visão estratégica. Os aposentados em grandes centros urbanos são pessoas com renda muitas vezes superior ao dos moradores daquele município.”
Cada cidade pode se desenvolver de uma maneira, opina o coordenador da pesquisa. “Aquelas que forem muito próximas dos grandes centros podem embarcar de carona, criando situações que levem as pessoas a viver naquelas que são referências.”
Piratininga (13 quilômetros a Sudoeste de Bauru) pode pegar carona no crescimento de Bauru, por exemplo. “Morar em Piratininga pode custar mais barato e ser mais seguro, teoricamente. É o conceito de subúrbio que no Brasil tem sentido pejorativo, mas na Europa a denominação é bastante usada.”
A qualidade de vida aliada às facilidades de locomoção e comunicação com os centros de referência podem servir de atração para esses municípios de pequeno porte. “A maioria das famílias tem carro e os circulares servem bem essas cidades. Com boa infra-estrutura, pode ser uma boa opção para as famílias criar seus filhos longe da violência e próximo do lazer e da cultura.”
Para ele, o fenômeno de crescimento populacional negativo pode ser explicado da seguinte maneira: cidades que não observaram o desenvolvimento acentuado internamente das oportunidades de emprego e não se modernizaram fazem com que a população migre para os grandes centros.
“Crescimento negativo”
De acordo com o economista Reinaldo Cafeo, o “crescimento negativo” é estabelecido pela soma dos residentes mais os nascimentos, menos as migrações. “O saldo é feito com os residentes, ou seja, pessoas que tinham na cidade, mais os nascimentos, menos as migrações. Isso não quer dizer que uma cidade que cresceu é que nasceu mais gente.”
Três variáveis influenciam positivamente para o crescimento, segundo o economista. “A natalidade baixa é um fator. A falta de atrativo do ponto de vista da permanência e da atração de migração são os outros.”
A qualidade de vida, a segurança, o acesso à infra-estrutura básica, melhoria das condições de trânsito e escolaridade adequada para os filhos já são fatores que influenciam na permanência de uma pessoa em determinada localidade. “Ou seja, eu abro mão do que um grande centro pode me oferecer porque quero tranqüilidade. Sei que vou voltar vivo para casa e que meus filhos estudam em escolas adequadas. Sem isso, dificilmente uma pessoa troca o centro de referência por um pacato município.”