Economia & Negócios

Empresas devem exportar, diz secretário

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O secretário de Desenvolvimento, empresário e conselheiro do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Domingos Malandrino diz que o grande desafio para a região de Bauru é aumentar o poder de exportação entre empresas de pequeno porte.

Para ele, uma das justificativas da queda dos investimentos no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2002 observada pela pesquisa da Fundação Seade é o fato de a região administrativa (RA) de Bauru - composta por 39 municípios - formar o chamado baixo Tietê. Isso porque as recentes tendências seriam de uma maior concentração de investimentos nas regiões mais prósperas em resultados agroindustriais, o que não é o perfil da RA de Bauru.

“Temos perfil de serviços, e os parques industriais são, em sua maioria, formados por empresas familiares e de pequeno porte. O perfil industrial de Bauru e região - a regional do Ciesp abrange 17 municípios - é composto em 98% por micro e pequenas empresas, cujo principal alvo é o mercado interno. Mas é justamente este mercado que tem sofrido grandes impactos de perda de receita. Então, para essa região ter um desenvolvimento melhor precisa depender de indústrias que consigam exportar”, aponta.

Neste momento, o secretário cita a região de Jaú, que tem alcançado ótimos resultados no setor industrial. Mesmo sendo a maioria das empresas de lá de pequeno porte também, elas formam um setor forte, que é o calçadista. Jaú é considerada a capital nacional do calçado feminino. Segundo Malandrino, o grande diferencial neste caso é que essas empresas trabalham unidas para fortalecer um único setor, que tem conseguido exportar.

“Com esse perfil de exportação é possível fazer uma movimentação de receita bem melhor, diferente do que ocorre em Bauru atualmente. Para se ter uma idéia, Jaú é responsável por um percentual entre 5% e 10% de tudo o que se fabrica no Brasil em calçados femininos. Por outro lado, em Bauru temos o setor de baterias automotivas, que fabrica 40% de todas as baterias de reposição do País, e o setor gráfico, responsável pela fabricação de 35% de todo o volume de cadernos escolares utilizados no Brasil. Mesmo assim, não somos a capital do caderno e nem da bateria automotiva.”

A grande saída, na opinião dele, seria a união entre as pequenas empresas que prestam serviços às grandes. Por este motivo é que o secretário afirma, com veemência, enxergar como os dois grandes desafios para a região o aumento do poder de exportação das empresas aqui instaladas e na formação de consórcios entre micro e pequenas para alcançar o mercado externo.

“Temos que procurar as missões internacionais que vêm ao Brasil e tentar vender os produtos fabricados em Bauru e região. Se o setor industrial cresce, certamente emprega mais. Isso aumenta a entrada de dinheiro no município, conseqüentemente as empresas contratam mais e o consumo no comércio aumenta. Existem várias coisas que podem ser feitas em nível de Câmara Municipal para fortalecer a atuação das empresas locais”, destaca Malandrino.

De acordo com ele, 99% dos produtos hortifrutigranjeiros (verduras, frutas e legumes) consumidos em Bauru - o que significa um volume em torno de 120 mil toneladas ao mês - vêm de outras cidades. Uma legislação municipal poderia determinar que, por exemplo, 10% desses itens comercializados nos supermercados da cidade fossem de produtores locais. Aos poucos, essa porcentagem iria aumentando.

“Isso estimularia produtores de Bauru e região a se agrupar e produzir para abastecer os supermercados. Em três anos, por exemplo, a lei pode exigir que esse índice obrigatório de produtos locais seja de 40%, e assim por diante. Isso deve incluir produtos industrializados também. O principal resultado disso é o fortalecimento de toda a região administrativa”, ressalta.

Privatização e universidades

Outro problema a ser superado que é apontado pelo secretário municipal de Desenvolvimento, é que do ano passado para cá Bauru - principal cidade de sua região administrativa - perdeu cerca de 5 mil empregos públicos de cargos de chefia com as privatizações.

“Aqui existiam escritórios regionais e estaduais de várias empresas. A cidade perdeu um grande número de empregos de alto valor agregado, com salários de no mínimo US$ 2 mil por mês. Por outro lado, na região do alto Tietê será instalada uma fábrica de remédios, em Araraquara. Mas isso é injustiça, porque se há em Bauru um setor altamente desenvolvido em tecnologia é o de medicina. Afinal, temos o Centrinho e os outros hospitais que também são referência.”

Questionado se esse tipo de situação não seria reflexo direto do conturbado cenário político de Bauru nos últimos anos, Malandrino diz que não. Para ele, isso não muda grandes decisões empresariais. “A política influencia, mas essa situação prejudica muito mais a população da cidade do que possa gerar de imagem negativa a quem vem de fora”, opina.

Para o secretário, é fundamental que as universidades - Bauru é um pólo universitário - se unam ao setor produtivo para obter resultados em parceria, assim como ocorre em várias outras cidades que possuem universidades que são referência.

Em São Carlos, por exemplo, a existência da Universidade Federal daquela cidade - Ufscar - definiu a instalação da base de recuperação de aviões da TAM, empresa nascida em Marília. “As universidades precisam se unir ao setor produtivo para agregar conhecimento e, conseqüentemente, agregar valor à produção local.”

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