Economia & Negócios

Nilson nega crise; Purini quer equilíbrio

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

O prefeito Nilson Costa (PTB) afirma que a análise dos números da pesquisa de investimentos anunciados da Fundação Seade não é suficiente, por si só, para demonstrar que a cidade está em crise. “Isso depende muito de um determinado investimento”, diz. Em comparação ao primeiro semestre de 2002, o volume de investimentos na região de Bauru no mesmo período deste ano caiu 66,5%.

Para o prefeito, a cidade pode receber boas notícias até o final do ano, como a confirmação da construção de um megashopping pelo Grupo Savoy estimado em R$ 80 milhões (cerca de US$ 29 milhões). “Não significa que a região perdeu. Pode ser que no próximo ano venha um investimento de R$ 300 milhões, R$ 400 milhões”, acrescenta Nilson.

Cassado pela Câmara Municipal em 19 de setembro e de volta ao posto 23 dias depois, Nilson rechaça a hipótese de que haveria um “risco-Bauru”, isto é, um temor do empresariado de investir na cidade devido à instabilidade política. “Isso não existe”, declara. E completa: “Essa briga entre prefeito e vereador existe em toda a parte.”

Na opinião do prefeito, as “manchetes positivas” de sua administração são facilmente esquecidas pela população. Ele cita investimentos como o da regional dos Correios, a implantação e ampliação da Universidade Paulista (Unip) - que emprega quase 1.000 pessoas - e a instalação de uma distribuidora de água como conquistas recentes da cidade.

Para Nilson, Bauru está numa situação “privilegiadíssima” em relação à qualidade de vida e educação, contradizendo os números apresentados pelo Atlas de Desenvolvimento Humano, que apontam piora na desigualdade social de Bauru e queda da cidade no ranking do desenvolvimento humano. “Tenho minhas dúvidas sobre esse tipo de projeção que foi feita”, diz.

O prefeito também elenca as obras realizadas, como o asfaltamento e a revitalização da área central. “Nós enchemos a cidade de galerias pluviais, de rotatórias, alargamento de avenidas. Você não encontra nenhum município da região que tenha tido este ano um volume de obras que teve Bauru”, afirma.

Com a Secretaria Muncipal de Desenvolvimento Econômico, Nilson afirma que mantém contato com grupos comerciais e procura atrair empreendimentos. “Permanentemente estamos fazendo campanha, fizemos um vídeo institucional com a participação do Pelé”, diz.

Fim da guerra

Para o presidente da Câmara, vereador Renato Purini (PMDB), é necessário acabar com a “oposição por oposição” na cidade e canalizar as forças políticas para um objetivo comum. “Se fica na guerra em que está entre a Câmara e a prefeitura, cassa prefeito, volta, isso é muito maléfico para a cidade”, diz. E acrescenta: “Nós temos trabalhado mais dentro da Câmara - e está difícil - no sentido de fazer com que haja um equilíbrio político na cidade.”

O vereador ilustra sua opinião com o caso do Grupo Marca, que pretende construir um centro de entretenimento e compras na Estação Ferroviária - um projeto de US$ 15 milhões. “Em determinado momento, foram levantadas dúvidas em relação à questão política da cidade”, relata.

Purini concorda que a política conturbada afasta o interesse por investimentos externos. “A situação econômica do município e da região gira em torno das questões políticas”, declara. Na opinião dele, a cidade precisa eleger uma diretriz de desenvolvimento - e cita o caso de Marília, conhecida pela forte indústria alimentícia - e ampliar o debate além da “guerra fiscal” com outros municípios via renúncia de receita.

De acordo com Purini, outro fator que atrapalha a chegada de investimentos é a ausência de representatividade municipal na Câmara dos Deputados e a presença de apenas um deputado estadual na Assembléia Legislativa. “Esse é um ponto seríssimo, porque nós não temos representação”, afirma.

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O que falta em Bauru para atrair investimentos?

“O problema político atrapalha um pouco, fica meio difícil” Josué Gomes, 46 anos, técnico em edificações

“Falta incentivo por parte das autoridades, do prefeito. A tendência das indústrias é ir embora de Bauru mesmo” Paulo César Vitorato, 37 anos, gráfico

“O pessoal está preocupado em trazer mais penitenciárias para cá, mas no entanto, deveriam se preocupar em trazer empresas. A indústria está fraca” José Cleudo Saraiva, 32 anos, cantor

“Eu não entendo muito do assunto, mas também não ia fazer (investimento) para ter prejuízo” Fátima Lurdes Reis, 47 anos, secretária

“Acredito que tudo isso envolve a má administração, a falta de vontade política, porque se outros municípios vizinhos conseguem atrair empresas, a nossa cidade também poderia. Onde está nossa cidade sem limites?” Alda Dias Ferreira, 58 anos, aposentada

“Falta incentivo dos governantes da cidade mesmo, que não dão os incentivos que as outras cidades dão. Os empresários ficam inseguros” Elen Cristina de Nardi, 26 anos, consultora de vendas

“(A instabilidade política) acaba assustando os empresários. Se o prefeito foi cassado é porque não andou fazendo a coisa certa” Jade Lis Lopes de Moura, 19 anos, estudante

“A cidade fica sem comando, fica sempre nessa reviravolta. Quem vai ter confiança na cidade?” Alexandre Garcia, 26 anos, auxiliar administrativo

“Sai prefeito, volta prefeito, é complicado” Luzia Pereira de Oliveira, 24 anos, estudante

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