As alterações intestinais crônicas realmente precisam ser tratadas. Porém, só um especialista é capaz de identificar a causa do problema e determinar qual é o tratamento mais adequado para cada situação.
A médica Ângela Figueiredo salienta que nem sempre o paciente sofre de prisão de ventre. “Os hábitos intestinais variam de uma pessoa para outra. Você pode evacuar dia sim, dia não e não ter problemas. O que caracteriza a constipação é a consistência e o volume das fezes”, esclarece.
As fezes normais devem ter volume proporcional aos alimentos que a pessoa ingere e uma consistência macia ao toque do ânus, segundo a médica. “Há pessoas que evacuam todos os dias, mas em pequeno volume e com fezes endurecidas, que causam incômodo - elas estão constipadas”, exemplifica.
Figueiredo salienta que a evacuação é um espelho do que se come. Uma ingestão adequada de fibras (20-35 gramas por dia para o adulto) e de água (2 litros diários) são as condições ideais para o bom funcionamento intestinal. Exercícios físicos também ajudam, ao fortalecer a musculatura abdominal e regular o metabolismo. Por fim, um bom controle emocional, para evitar a constipação por estresse.
“O tratamento da constipação intestinal até pode exigir o uso de laxantes, mas de maneira controlada e por tempo determinado. Há vários tipos de laxantes, cada um indicado para determinada alteração. O uso inadequado destes remédios só agrava o problema”, destaca.
Emagrecimento
Questionada sobre pessoas que usam laxantes como alternativa para perder peso, Figueiredo alerta que esses indivíduos podem estar causando sérios prejuízos à própria saúde. “Elas estão forçando o intestino a pôr os alimentos para fora de forma errada. Isso pode causar distúrbios eletrolíticos, com perda de minerais como o sódio, zinco, cloro, que são essenciais ao organismo”, adverte.
Ela ressalta que ao antecipar o funcionamento intestinal, o indivíduo impede que muitos nutrientes sejam absorvidos pelo organismo. “Ele induz quimicamente a perda de vitaminas, proteínas, gorduras e minerais pelas fezes. O laxante até causa uma diferença na balança, mas a pessoa emagrece por desnutrição”, salienta.
A médica lembra que a única maneira de se perder peso é manter uma restrição calórica, um gasto de energia através dos exercícios físicos e um bom controle emocional - já que ansiedade e estresse alteram o metabolismo. “Laxantes são drogas, que como qualquer outra só devem ser ingeridas sob prescrição e acompanhamento médico”, encerra.